27 de abril de 2011

Como uma borboleta


Em constantes mudanças.
Ela estava no chão e pude a observar por longos e marcantes três segundos.
Era como me ver.
Quem fez isso com ela? Quem a impediu de voar?
Ninguém tirou suas asas, mas ela já não podia voar, parece que ela está assim já faz quase duas semanas.
Uma vez tentaram fazê-la parar de voar mas ela conseguiu fugir.
Não sei ao certo se quem a fez parar de voar, fez por querer.
Já teve vezes... uma borboleta entrou no meu quarto e para fazê-la voar a fiz pousar na vassoura e ao conduzí-la para a janela ela se machucou e não voou mais.
Talvez voar seja sinônimo de liberdade e por isso ele a faz voar, mas ao mesmo rempo estar presa lhe transmita segurança. Não sei.
Sei que ao observar a borboleta voei e por ela fui conduzida à um interior de sentimentos e emoções aos quais divido com ela. Certamente ela não queria estar ali. Vunerável, presa ao chão, mas ao mesmo tempo assim outros podiam, como eu, observá-la.
A borboleta tinha vontade de expressar tudo mas não pode falar. O que falaria para quem a condicionou àquela situação? De vôo e de prisão.
Por que sou a borboleta?

18 de abril de 2011

Entrevista



Posso dar como título para o dia de hoje 'experiência incrível', para o dia e não para o texto.
Para o texto vai o nome de entrevista mesmo porque é assim que o resumo bem. Os detalhes compartilho agora.
Ao primeiro contato pareceu-me tão áspero e ríspido que temia encontrá-lo. Sua esposa parecia ser a simpatia em pessoa, mesmo assim, ansiedade, medo, nervosismo e tensão tomavam conta de mim.
São 'apenas' trinta livros publicados, trinta e poucos anos dirigindo o jornal "O Estado de São Paulo", coordenador do circulo Fernando Pessoa, logo não falaria com qualquer pessoa, mas quando o vi muito tornou-se claro.
Intelectual como nunca tinha visto. Tão doce. Diferente do que me parecia.
A idade só mostra o quanto sabe.
Foram quatro horas inimagináveis de muito compartilhamento intelectual, de ouvir a beleza da história da literatura portuguesa e...
Ao mesmo tempo ver como a juventude é quem é realmente áspera e ríspida.
assim é perfeitamente aceitável e compreensível que num primeiro momento alguém que quase não se ouve falar, mas tem muito a dizer, um homem que foi 'esquecido' nem sei porque por uma juventude intelectual que se acha superior, por ser juventude, tenha no mínimo receios de falar com uma jovem que ainda está no meio de seu curso. Desconhecida.
Recebe-me com humildade numa riqueza singela.
De repente a esposa autêntica diz: "_Meu marido não sabe o valor de seu cérebro, meu filho não se conforma." Envergonhado, o belo senhor dá risada e diz para não lhe dar atenção.
Digo sobre simpósios e congressos aos quais participei e ele desconhece porque ninguém lhe avisou ou convidou. Agora como falar de um jornal como o "Portugal Democrático" sem mencioná-lo?
Senti dor no coração.
Com toda a simpatia passamos quatro longas horas conversando e ficaria a tarde toda ali, se pudesse, não apenas pelo conhecimento intelectual compartilhado, mas principalmente por ver sua felicidade ao me ver ali. Por sentir que há muito um jovem não lhe dava atenção e que mesmo tendo um compromisso, logo a tarde, ele tinha alegria em conversar comigo.
Uma manicure interesseira que não faz nada direito 'roubando' dois senhores, ao invés de aproveitar o momento para crescer e se algum deles fala alguma coisa ela ignora como se estivesse fazendo um favor em estar ali. Por quê?
Um motoboy mentiroso que pede assinatura e sai rindo da inocência de quem poderia conversar horas com ele e ensinar-lhe como ser uma pessoa melhor.
Senti muita dor no coração.
Como aprendi. Como foi bom.
Não pelos livros que ganhei porque são detalhes.
"Ai a minha terra."
"Vamos para Portugal."
"Queres participar de uma sessão sobre Amália Rodrigues? terei prazer em recebê-la!"
"De-me cá, deixe-me autografar para ti: '_ Para a querida Mariane Tavares.' (Oh Tavares es português)"
Nunca esquecerei esse dia.
Desejo muito que fiquem bem.

A entrevista foi de graça e se fosse cobrada seria impagável.
Enfim... para mim não teve um fim.

14 de abril de 2011


Uma vez me disseram que tu es uma jóia.
Diante de um mundo tão feio como o nosso já sabia disso só não sentia.
Mas os dias passam e viver é sentir.
Realmente, como tu não existe.
Tua pureza e responsabilidade me encantam. Como tu podes ser tão assim? Sei lá.
Fazendo uma análise diante de todos, poderia até ser que tu não tivesses nada de diferente.
Mas ao ouvir tua voz, tuas novidades, me contento em orgulhar-me de ti.
Vejo teus planos, teu futuro e vejo principalmente o quanto és singular.
Sonho em ir para Portugal e tu para Alemanha, mas ao veres a possibilidade de viajar pensas em levar-me para Portugal?
Quem é como tu?
Tens prazer em sonhar comigo, em apoiar-me e ser e dizer tudo o que preciso.
Então vejo que como tu são raras as pessoas.
Auxilia a teus pais, trabalhas, estudas, divertis, tocas, es meu amor e meu grande amigo. E te sentes feliz em compatilhar tua vida comigo.
Amo-te como nunca amei alguém e a cada dia amo-te mais por sentir que tu es minha jóia a qual devo cuidar e lapidar-me para sermos sempre felizes.

O feriado está chegando, Amor. Não vejo a hora de terminar todos os relatórios e trabalhos para ficar contigo.

11 de abril de 2011


Sabe?
Digo isso sempre mas... o dia não tem graça nenhuma se eu não falar com você.
Ainda não podemos nos ver todo dia e isso me faz sentir sua falta danada.
São poucos minutos, às vezes segundos, mas o dia só começa bem se a sua voz for a primeira que eu ouvi.
Logo o seu rosto vai ser aquele que vou ver todos os dias quando acordar e isso me faz muito bem.
Como amadurecemos nesse tempo.
Já superamos certas fases e hoje só conseguimos rir.
Definitivamente a gente se entende.
Sinto sua falta várias vezes durante o dia.
Lembra do carinho que eu faço no amor? Espero que você o sinta essa semana.
Nossa plantinha, mesmo no outono vai muito bem, você rega um pouquinho ali e eu rego um pouquinho aqui e daqui alguns poucos anos dela se formará um lindo bosque onde colheremos os frutos do bem que fazemos um ao outro.
'palavras não podem expressar o que sinto em meu coração', é uma felicidade tão grande. É como se um mais um que seria dois permanecesse um porque o que te/me preocupa alcança diretamente o outro.
Em dias de frio você me esquenta. Admirar seu sorriso lindo me faz ver que tudo ao seu lado vale a pena. Não existe ninguém igual você e por isso es único para mim.
Amo você!


parabinho*-*

5 de abril de 2011

Inspiração


"O sonho encheu a noite
Extravasou pro meu dia
Encheu minha vida
E é dele que eu vou viver
Porque sonho não morre."

Adélia Prado

Boa epígrafe.
ando tão sem inspiração.
Sem vontade de escrever ou até tendo, mas sem ânimo.
Sem ânimo de estudar, de ler, de cantar, viver...
E o que fazer?
Acho que preciso sonhar.

24 de março de 2011

Saudade é estar acompanhado do amor, mas não da pessoa amada.





Saudade da mamãe, da irmã chata, de algumas amigas e do namorado.

adap. Pablo Neruda.

18 de março de 2011

Solar


"Minha mãe cozinhava exatamente:
Arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas.
Mas cantava."

(Adélia Prado)

Adélia Prado é brasileira.
Não sei porque sempre gostei de literatura portuguesa mais do que todas as matérias.
Já justifico que a poeta (hoje já não há mais distinção entre poeta e poetisa) é brasileira, no início, para ninguém confundir as coisas.
A última aula de literatura portuguesa foi incrível, nada como uma SMSS, mas foi incrível.
Acho que a maioria das pessoas que lerem esse poeminha, devem achar, no mínimo, sem graça, mas tem muita coisa a se extrair dele.
Primeiro. Tem características de poema romântico. Talvez pergunte: como? nem fala de amorzinho, mas fala.
Se dividirmos esse poema em duas partes, podemos fazer duas análises. uma social e outra psicológica.
'Minha mãe cozinhava exatamente:/ arroz, feijão-roxinho e molho de batatinhas', ao dizer que sua 'mãe cozinhava' o eu-lírico afirma a condição de sua família visto que cozinhar é uma tarefa doméstica que é realizada por empregados em casas de famílias ricas; neste caso a mãe cozinhava, ou seja, é possível que a família tenha uma renda tão mínima que além de não poder pagar uma empregada doméstica, ainda não tem dinheiro para comer fora. Não o bastante, os alimentos são de um cotidiano simples, e é exatamente aquilo que eles comem que os define, o cardápio não se altera e falta até o que popularmente é chamado de mistura. Socialmente esta família é de baixa renda e pertencente a uma das menores classes sociais existentes na sociedade, suprem suas necessidades e não há privilégios. Reparem na pontuação, ao falar dos alimentos, mesmo fazendo uso da palavra 'exatamente' que ao mesmo tempo que especifica o que vai vim a dizer, também pontua a frase, a poeta marca com dois pontos a sequência e no fim desta, a virgula antes do 'mas' que é uma locução adversativa, que gramaticalmente é esperada, é substituída por ponto final, ou seja, delimita o que foi dito e introduz um novo aspecto.
'Mas cantava'.
O cantar da mãe nos leva à uma interpretação psicológica, porque com a situação singela da família, tendo que cozinhar, o que o leitor espera é uma reação negativa de tudo isso, mas contrariamente ela canta. A mulher é feliz por ser mãe, por cozinhar, por ter o que comer e a expressão dessa felicidade é seu canto. A partir daí o titulo torna-se revelador de três maneiras, sendo a última minha preferida: 1) solar pode ser a junção das palavras só + lar, ou seja, a mãe é quem cuida, é a principal responsável pelo lar e está só em seu lar, nela se constrói toda a unidade do poema. Mas essa hipótese pode ser contestada pelo simples fato de que se há alguém narrando esse cotidiano e esse alguém não é a protagonista, no caso a mãe, esse alguém é seu filho, logo a mãe não estava só, alguém observa seu comportamento e o narra com certo tom de admiração. 2)solar pode ser compreendido como o truncamento das palavras sol + lar, o sol comumente representa alegria, luz e consequentemente paz, bem, é como se o que realmente importava no lar era o brilho do sol, representada na retórica do narrador que com o canto da mãe, consegue legitimar a ideia de que é possível viver em um lar humilde e ser feliz. 3) solar significa 'casa grande', parece contraditório afirmar em todo o poema a pobreza da família e colocar solar como titulo, mas se pensarmos que a alegria, a admiração, a educação que aquele lar recebia pela figura da mãe é equivalente a grandeza e ao luxo de um solar, subjetivamos o concreto em abstrato e independentemente do retrato humilde da familia o que acaba marcando mais, em todo o poema, é seu último verso 'Mas cantava', seja qual fosse o problema aquela mãe seria feliz porque o que importava era o que eles tinham e não o que não tinham.
O poema é tipicamente romântico por tratar da vida cotidiana, de elementos da natureza (sem restringir-se ao natural de paisagem, mas à cultura popular também), por expressar o que vem do coração sem obedecer as formas estruturais de um poema clássico, entre outros.

Pensar este poema me fez analisar a vida hoje.
Se voltarmos a autobiografia de Adélia Prado veremos que as informações do poema condizem, em outros poemas, com sua realidade de infância.
Observando a semana, podia ver o poema em minha vida. Mas já não estou na infância.
'Mas' é o que importa, lembrando que sempre o que faz a diferença é o que está depois do 'mas', a questão é que aqui dificilmente alguém aqui canta.
Que impacto teria o poema se fosse:

"Minha avó cozinhava exatamente:
arroz, feijão-roxinho e molho de batatinhas.
Mas meu avô permanecia preocupado
porque a comida alimentava MAS as contas não pagava."

Dessa maneira o poema deixaria de ser romântico e passaria a ser 'realista'.

Queria que o canto estivesse no fato de estarmos aqui e alimentados, afinal a mulher cantava e olha o que está nas lembranças de Adélia Prado e de todos nós.

"Moral da história: é possível ser feliz, depende de como você encara as coisas.'