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20 de março de 2012

Poeminha inspirado por Álvaro de Campos, na aula de literatura portuguesa

Depois de vários minutos
Mesmo sem a história da galinha
Olha só, até a Marizinha
Boceja e reclama de sono
Não aguentamos mais tanto comentário
Que, com pretensão de ser hilário
Só nos faz pensar: "Que bando de otários!"

Eis que realizo um sonho:
a cada aula um poema componho

Como não encontrar inspiração
Enquanto o fim da aula aguardamos com tensão?

(Gabriele Borges)

Guarulhos, 19 de Março de 2012.

10 de fevereiro de 2012


"Essa dependência de aceitação
e a espera de atitudes amistosas
leva qualquer um à solidão."

17 de agosto de 2011

Dor da perda


Como todos, ela não está preparada para a dor.
Sentiu, nesses últimos dias, muita dor. A dor de perder.
Não de perder um amo, mas de perder pra valer.
Ela sabia que sofreria se algumas pessoas partissem, mas não tanto.
Sorte, não sei, ela nunca perdeu ninguém.
Quando está diante da morte, não sabe o que dizer, na verdade a maioria das pessoas não sabem o que dizer diante da morte.
Dar um abraço, chorar junto, é o máximo a fazer.
Ela já esteve diante da morte. Mas a morte não a abraçou.
Certa vez, em casa, chegou um vizinho e disse que alguém muito especial havia levado um tiro. Sem saber o que fazer, chorou e orou. Não sabia o que fazer. Este foi o momento mais próximo dela diante da morte.
Ah, já estava a esquecer-me, uma vez disseram à ela que outra pessoa muito especial poderia estar muito doente e de pensar seu coração se entristeceu. Entristeceu.
Passados muitos tempos ela encontrou a realidade.
Quando alguém levou um tiro, ela não foi ao hospital. Quando alguém suspeitava estar com uma doença muito grave, ela não foi ao médico.
Agora foi.
Medo de perder.
Ela realmente não sabe lidar com a dor. Não com a dor de carne ou de alma, mas a dor de perder.
Ele estava com um rostinho tão choroso. Não sorria. Sentia dores. Chorava.
Ela ao saber de sua internação, sonhava. Não com a recuperação, mas com a perda.
Ao visitá-lo, lembrava das manhãs que era acordada com aquele sorrizão e com aquela voz que a chamava por um apelido infantil, único, de quem ainda não sabe falar nomes com a letra "R".
Ao visitá-lo, lembrava do dia que tomou muita chuva para não deixá-lo se molhar, lembrava dele a chamando para brincar... Lembrava.
Que medo da perda, pensava ela.
Se despedia enquanto ele chorava, pedindo para que ela ficasse. E saia chorando, com medo da perda.
Tinha a certeza que não estava preparada para a dor. Compartilhava o sofrimento de alguns. Compreendia.
_Ele está de alta! Disse a médica.
Alegria infinita.
Sinceramente dessa vez a morte passou muito longe. Até ela chegou apenas a reflexão.
Amar, demonstrar.
Abraçar quando alguém vier acordá-la, mesmo sem querer. Brincar, mesmo quando estiver cansada. Buscá-lo na escola, sem atrasos. Dividir o macarrão instantâneo e o chocolate é amor.
Talvez isso amenize a dor da perda. Para adultos e crianças.

2 de agosto de 2011

Confusão



Já não sei o que sinto.
Sei que não quero magoá-lo.
Há um tempo não penso em "nós" e não sei o que fazer.
Antes pensava no futuro, acreditava que seria possível. Hoje não penso em nada.
Por mais que ainda haja algo em você que eu admire, não sinto aquela falta.
Penso em milhares de coisas, mas você não é mais a primeira delas. É uma delas..
Eu queria entender o que está acontecendo com meu coração.
O que eu mais quero é saber o que Ele tem para mim. O que é que Ele quer.
Sonho com uma vida diferente da que temos, não sei o que conheço em dois anos.
Acho que não quero mais. Mas penso que daqui há algum tempo tudo pode mudar e... volto a não saber o que quero.
Preciso de um tempo pra saber se sinto sua falta. Falta de nós.
Não quero magoá-lo.
Com carinho e sem pseudônimos.

25 de julho de 2011


O criador conhece bem a criação e procura construí-la com o que há de melhor. Com o tempo a criação apresenta defeitos, lá vem o criador concerta e/ou aperfeiçoa, de repente a criação apresenta vontade própria e o que faz o criador? A deixa livre. Livre, ela não sabe cuidar de si mesma, não compreende seu próprio funcionamento, então volta e pede ao criador:"_ Faça a tua vontade!"

21 de julho de 2011


Na área de lazer de um prédio haviam duas crianças.
Uma mãe arruma o filho, coloca aquela sandalinha esportiva e carrega sua bicicleta.
O filho se cansa e então ela pega o chinelo do Ben10, mais confortável.
A mãe queria porque queria comprar uma bicicleta para o filho, mesmo que ele não quisesse. Ela sempre quis ter uma bicicleta quando criança, então daria ao filho. Normal. Pais desejam dar o melhor aos filhos.
O outro menino que estava na área de lazer, estava descalço, sujo, com roupas rasgadas e observava a bicicleta. Aproximou-se e perguntou: _ essa bicicleta é dele?
e a mãe do menino disse: _sim. Algo doeu em seu coração.
O menino andou, andou, andou em sua bicicleta até cansar-se e outro observou até cansar-se.
A mãe disse: _filho, deixa aquele garoto andar na sua bicicleta? e ele respondeu: _não, mamãe quero entrar, estoou cansado. Mesmo assim a mãe chamou.
O menino descalço, sujo, com roupas rasgadas mesmo com a insistência não andou de bicicleta e ficou observando, observando sozinho sem nenhuma criança.

Quando era criança tive uma bicicleta, mesmo aprendendo andar somente com doze anos. Gostava de ter uma bicicleta. Hoje o que eu gostaria é que todas as crianças tivessem uma bicicleta. Amanhã o menino cansado também vai desejar isso.

19 de julho de 2011

Reencontro dos sonhos


Meu velhinho em Bodocó.
Comendo queijinho com doce de leite. Bodocó não fica em Minas.
Ele viajou e meu sonho começou a se realizar.
Meu velhinho me chamou e disse: "Vem vê as fotos!" Feliz.
Já voltou de viagem.
Lá, reencontrou parentes, chorou, relembrou naquele sítio a infância. Descansou da vida agitada de São Paulo e agora tem seus documentos de velhinho acertos em sua cidade. Creio que vai conseguir aposentar-se.
Me dói todos os dias pela manhã vê-lo sair com a velhinha para trabalhar. Eu chego e eles ainda não chegaram, muitas vezes chegam e dizem que não fizeram quase nada de dinheiro. Meu velhinho tem mais cabelos brancos que o normal para sua idade, são as preocupações.
E eu tenho mais sonhos que o normal para a minha idade.
Meu velhinho está tão feliz!
Ele é tão correto. Agora com a aposentadoria, vai fechar o bar, vai abrir uma loja e principalmente: vai com toda a família à igreja.
Meu sonho vai se realizar.
Quero ver meu velhinho feliz assim todos os dias, tendo a certeza que vai conseguir pagar as contas no fim do mês, tendo a certeza de que o tempo não o apaga da memória daqueles que ficaram em Bodocó.
Parece até que ele tem mais vida agora.
Meu velhinho é o melhor avô, pai, amigo que alguém pode ter.
Sempre achei baboseira essa coisa de que o pai é o herói do filho. Mas é verdade.
Meu avô é meu herói, porque ele tem tanto coisa na mente e mesmo assim se importa em saber como eu estou, se feliz ou triste, se as coisas estão dando certo na faculdade e até mesmo na igreja. Ele é correto, sensato, amoroso... ele é incrível.
Seu reencontro me proporcionou o início da realização do meu sonho.

ps.: pessoas perguntam: pra que você quer passar no vestibular? "_Quero conseguir com bom emprego, fazer mestrado e doutorado e comprar uma casa para meus avós, pais e tios, apesar de saber que Deus pode fazer tudo isso."
pessoas perguntam: qual os eu maior sonho? "_Dizer eu e minha casa servimos a Deus."

11 de julho de 2011

Diferença igualitária



Note a diferença entre a cor da pele e o branco dos dentes?
Mas não é exatamente disso que vou falar.
Há muito quero escrever, enfim...

Em um ônibus havia uma jovem rodeada por adolescentes desconhecidos. estranhos, na verdade. estranhos para ela, como jovem, mas absolutamente normais entre eles.
Ela estava bem no meio deles, ônibus lotado. São Paulo, às 12h, e o trajeto passa por pelo menos quatro escolas. Natural ter muitos adolescentes ali. De qualquer maneira ela não levantaria para ficar em pé e deixar os adolescentes livres para falar mais besteiras.
Dos que estavam ao seu redor, quatro eram brancos e um negro. Até aí não há nada de importante nisso. Seguindo.
Era perceptível que o garoto negro era mais novinho que os outros. mais pobre que os outros, pelas roupas e material escolar e principalmente: mais inocente.
O que a irritava não era a presença dos adolescentes, porque ela gosta muito de adolescente, mas seus comportamentos.
Tudo o que ela ouvia a levava à reflexão. Os brancos faziam o garoto negro de bobo, xingavam mãe, pai, eram estúpidos e estragavam o pouco material que o garoto negro tinha. Mesmo assim, ele permanecia com eles.
Eles falavam que o menino era fedido, era burro, pretinho, não pegava ninguém e mesmo assim o menino permanecia ali.
Ela pensava: "Que bom que você é diferente!" e ao mesmo tempo pensava: "Por que você quer ser como eles?"
O menino negro era diferente, mas queria ser igual.
Igual, por/que infelizmente o mundo é injusto?! Talvez.
A agonia da jovem a observar isso foi tão grande que ela exclamou:"_COMO VOCÊS SÃO BOBOS, IDIOTAS!!! Por que fazer isso?" E eles pararam. E ela chorou.
De verdade, o nenino negro era o mais lindo, tinha a pele mais uniforme que ela já viu, tinha o sorriso mais lindo, o jeito mais fofo e não precisava passar por aquilo. Ele foi o único que a respondeu e disse: "_Não fala assim com os meus amigos!"
Ela entendeu, deu sinal e desceu do ônibus.
Entendeu que certamente para aquele menino, aqueles garotos eram realmente seus amigos, talvez porque ninguém além deles quisesse a companhia dele, talvez porque em enrrascada eles fossem os únicos a defendê-lo. Mas a principal coisa que ela entendeu é que no tempo certo ele compreenderia o seu valor.

8 de julho de 2011

Estrangeiro


Meu nome é Suk.
Não sou mais criança.
Vou falar um pouco da minha infância.
Sou da Coréia do Sul, não vou entrar em detalhes referentes a meu país, apesar de sua história interferir diretamente na minha.
Meus pais também são coreanos, me planejaram.
Eu era uma criança feliz. Com a crise econômica minha família decidiu morar no Brasil, na prefireria do estado de São Paulo.
Passei boa parte da minha adolescência indo trabalhar com meus pais na "Feirinha da Madrugada", no bairro do Brás. Via adolescentes entrando e saindo de uma escola técnica que tem por ali, todo dia eles compravam uma coisinha ali e outra aqui, enquanto meus pais tinham que passar a madrugada, a manhã e a tarde toda vendendo bujigangas para pagar as contas e comprar alguma coisinha para mim, no fim do mês.
Parece que não, mas a situação ainda era melhor que na Coréia.
Hoje eu sou jovem e meus pais estão muito doentes. Hoje sou eu quem trabalho na feirinha, sou eu que não concluí os estudos. As coisas mudaram porque não estou brincando na feirinha, estou trabalhando, mas ainda observo aqueles outros jovens da escola.
Hoje eu vendia gravatas e lenços, 'tlês por 10', tenho amigos que vendem bolsas por 'tlinta real', aqui vem gente de todo o tipo. Quando vendia minhas bujigangas tinham duas meninas que compravam e conversavam, ouvi uma delas dizer: "_Ai, quero muito ir aos EUA, mas não quero ficar como essa gente." Não soube o que pensar. O que é essa gente? Por que somos vistos como 'os estranhos'? Os miseráveis?
Vir para outro país sem saber a língua é difícil, abandonar sua cultura e ainda ser tratado como um objeto que se compra e vende, ouvir as pessoas dizendo que somos grossos e comemos comida fedida. Não sonhava com isso na minha infância. Nunca sonhei com isso. Sonhava em estudar como aqueles jovens, em viver na minha terra, em ver meus pais bem, que adoeceram de tanto trabalhar nesse lugar.
Sim, não sabemos a língua, sim, somos diferentes, sim, vendemos tudo mais barato, porque no seu país a miséria é tanta que se não vendemos nossa própria alma pra você saciar seu desejo de consumo, morremos você e eu, você porque não tem como comprar o original, eu porque não vendo, não como, não...minha comida fede? Fede! Mas não tenho outra. Também não quero, moça, que você viva nos EUA, o que eu vivo aqui. Mas lá você não será muito diferente de mim aqui.
Eu era bem tratado e queria ser engenheiro, hoje estou acabado e sou vendedor ambulante... por isso prefiro fotos minhas na infância.

6 de julho de 2011

O poema


O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo

Sophia de Mello Breyner
(1919-2004)

29 de junho de 2011

Conquista


"Os degraus
Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo..."

(Mário Quintana)


Eu subi. Realizei. IC concluída, Paloma querida :)

18 de abril de 2011

Entrevista



Posso dar como título para o dia de hoje 'experiência incrível', para o dia e não para o texto.
Para o texto vai o nome de entrevista mesmo porque é assim que o resumo bem. Os detalhes compartilho agora.
Ao primeiro contato pareceu-me tão áspero e ríspido que temia encontrá-lo. Sua esposa parecia ser a simpatia em pessoa, mesmo assim, ansiedade, medo, nervosismo e tensão tomavam conta de mim.
São 'apenas' trinta livros publicados, trinta e poucos anos dirigindo o jornal "O Estado de São Paulo", coordenador do circulo Fernando Pessoa, logo não falaria com qualquer pessoa, mas quando o vi muito tornou-se claro.
Intelectual como nunca tinha visto. Tão doce. Diferente do que me parecia.
A idade só mostra o quanto sabe.
Foram quatro horas inimagináveis de muito compartilhamento intelectual, de ouvir a beleza da história da literatura portuguesa e...
Ao mesmo tempo ver como a juventude é quem é realmente áspera e ríspida.
assim é perfeitamente aceitável e compreensível que num primeiro momento alguém que quase não se ouve falar, mas tem muito a dizer, um homem que foi 'esquecido' nem sei porque por uma juventude intelectual que se acha superior, por ser juventude, tenha no mínimo receios de falar com uma jovem que ainda está no meio de seu curso. Desconhecida.
Recebe-me com humildade numa riqueza singela.
De repente a esposa autêntica diz: "_Meu marido não sabe o valor de seu cérebro, meu filho não se conforma." Envergonhado, o belo senhor dá risada e diz para não lhe dar atenção.
Digo sobre simpósios e congressos aos quais participei e ele desconhece porque ninguém lhe avisou ou convidou. Agora como falar de um jornal como o "Portugal Democrático" sem mencioná-lo?
Senti dor no coração.
Com toda a simpatia passamos quatro longas horas conversando e ficaria a tarde toda ali, se pudesse, não apenas pelo conhecimento intelectual compartilhado, mas principalmente por ver sua felicidade ao me ver ali. Por sentir que há muito um jovem não lhe dava atenção e que mesmo tendo um compromisso, logo a tarde, ele tinha alegria em conversar comigo.
Uma manicure interesseira que não faz nada direito 'roubando' dois senhores, ao invés de aproveitar o momento para crescer e se algum deles fala alguma coisa ela ignora como se estivesse fazendo um favor em estar ali. Por quê?
Um motoboy mentiroso que pede assinatura e sai rindo da inocência de quem poderia conversar horas com ele e ensinar-lhe como ser uma pessoa melhor.
Senti muita dor no coração.
Como aprendi. Como foi bom.
Não pelos livros que ganhei porque são detalhes.
"Ai a minha terra."
"Vamos para Portugal."
"Queres participar de uma sessão sobre Amália Rodrigues? terei prazer em recebê-la!"
"De-me cá, deixe-me autografar para ti: '_ Para a querida Mariane Tavares.' (Oh Tavares es português)"
Nunca esquecerei esse dia.
Desejo muito que fiquem bem.

A entrevista foi de graça e se fosse cobrada seria impagável.
Enfim... para mim não teve um fim.

26 de janeiro de 2011

"É difícil para um homem entender que o que lhe parece uma obrigação é o sonho da mulher. Será que é difícil para um homem entender que a mulher não quer cobrá-lo? Na verdade a mulher só quer que seu homem seja como um príncipe que tem prazer em realizar parte dos seus sonhos para vê-la feliz. Mas quando um homem entende isso, muitas vezes é tarde demais".

20 de janeiro de 2011

Um dos conselhos que o Pequeno Príncipe me deu

(...) Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti, e tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...

4 de outubro de 2010

Casos da vida e do andar

Nos primeiros domingos dos dois últimos meses aprendi grandes lições. Pra vida. Já há algum tempo a humildade vem conversando comigo de modo simples mas muito importante. No primeiro mês, durante a semana e fechando com o domingo, observei um homem, na igreja, que é paralítico. Ele sempre chega sorridente, cumprimenta todos que estão perto e aqueles que ficam observando-o, inclusive eu; só vejo ele chorando quando está muito feliz com alguma coisa que acontece na igreja. Quando ele chega, obviamente não pode se ajoelhar como a maioria das pessoas fazem ou "deveriam" fazer, em sinal de reverência ele se inclina de uma tal maneira que é evidente o quanto ele é grato por estar ali, simples assim, e ora durante um tempo e quando levanta é possível perceber lágrimas em seus olhos, mas não são de tristeza. Durante o mês de outubro os jovens prepararam um musical e uma das canções dizia: "(...)Já posso ver um paralítico saltar depois de esperar tanto tempo para andar." e sempre que pensava nesse frase e principalmente quando a cantei esparava ver isso acontecendo com ele, mas não; Mesmo assim ele é feliz, tanta gente "perfeita" e ingrata, ele me ensina o valor... No segundo domingo algo também interessante ocorreu, estava na igreja e de repente um coral levantou para cantar e eu estava em um ângulo que não tinha uma visão muito boa do que estava ocorrendo, procurava o maestro do coral porque gostei muito da música, da abertura das vozes, enfim queria saber quem era. De repente vejo muitas pessoas chorando emocionadas e tendo aprendido uma grande lição, vi o pastor com uma cara bem séria derramando lágrimas se ter o que dizer, quando o coral sentou vi que o maestro era um cadeirante e que naquela manhã nenhum outro coral falou tão profundamente com a igreja como aquele. Nada impede ninguém de fazer nada, talvez dificulte, mas não impede. Nunca tinha visto um maestro paraplégico e maei ter visto um. Encontrar pessoas como aqueles dois homens me fez muito bem e me e ensina o valor. Tão simples ser feliz!

17 de setembro de 2010

Naremai

Olá Naremai, como vai?

"Ela receberá felicidades e parabéns em alguns dias.
Ela quer ser feliz.
Ela era feliz. Não sabia.
Ela é diferente, é especial.
Inteligente, mas só inteligente.
Beleza ela até tem, mas está nos olhos de quem a vê.
E ele viu.
Ela mudou, logo ele mudou.
A culpa foi dela.
Já perceberam.
Ela se esforça para voltar. Não vê o esforço dele.
Ela já quiz e depois quando não queria mais saber, soube dele.
Ela tem dúvidas.
Esperança.
Tem tanta coisa para fazer, ler.
Pensa nele.
Ela queria estar bem. Não está.
Ela conhece o todo pela parte. Mas a parte não muda o todo.
Foi Ele quem colocou ele em sua vida.
Por que isso agora? Ela quer dar todo o controle a Ele.
É insegura.
Ela o ama. E ele? A ama. Por quê?
Para ela se sentir feliz
o ele do ele precisa voltar".

Vá ler garota!
O Lourenço, o Tengarrinha, o Ascenso, o Régio, a Santos estão a sua espera e, assim como você devia aguardá-los ansiosamente, eles a esperam. Além Dele, eles serão seus maiores companheiros, entre outros que eles irão te apresentar.
Quando chegar novamente o dia das felicitações, espero que isso já tenha passado afinal você é madura o bastante, você verá que foram eles e só os de pequenina que a ajudaram a vivê-las e recebê-las.

Um abraço,
Aminera.


ps.:Como narradora dessa história perdi um tempão em anagramas porque as técnicas da Llansol nesse caso são muito óbvias.
ps.²: o Sena está esperando suas cartas.
ps.³: A Sophia, a Cecília, a Clarice, a Luíza, a Fiama, estão esperando sua visitinha.

10 de agosto de 2010

II carta a Jorge de Sena

Caríssimo Jorge, (por que que vocês tem esse formalismo de começar com caro...?)

Quero compartilhar com você, principal pessoa à saber, minha novidade. Se você já tinha o ego "um pouco" aguçado, imagina agora?! Mesmo depois de tantos anos, a Academia ainda quer saber mais sobre sua obra, tanto que meu projeto foi APROVADO !
Não me lembro se havia comentado com você, em minha última carta, do que trata examente meu projeto de iniciação científica...
Lembra do período que você esteve aqui no Brasil? E depois, quando foi para os EUA? Então, o título da minha IC é "A produção literária de Jorge de Sena sob ditadura e exílio", consegui bolsa. Quero agradecer-lhe!
Claro, agradecer a Aifos que nos apresentou, agradecer a Paloma que me orientou e a Ele, principalmente, por ter me dado a ideia, mesmo que você não acredite.
Então... não sei por onde começar, o que você me diz?
Meu projeto está dividido em 5 módulos, sendo que no primeiro, quero entender o que é que faz o cidadão português amar tanto a pátria? O que faz de um pedaço de terra que a muito tempo perdeu o poder e o brilho na história, ser tão importante na vida de quem lá nasceu? Porque sentir saudade de um lugar que tanto mal fez? Enfim, para isso Eduardo Lourenço, lembra de suas correspôncias com ele? Logo terei acesso, irá me ajudar; tem mais dois autores (que no momento não me lembro o nome, que também vão me ajudar nesse módulo), mas de todas as pessoas de quem espero ajuda mortal, você é o mais importante deles.
Quando este módulo acabar, vou começar o 2º e logo envio uma carta compartilhando informações. Você nunca manda carta, mas tudo bem, sua obra tem muito à dizer...
Sabe o que me preocupa nesse momento? Todas as muitas atividades que terei na Universidade esse semestre. Vai ser muito difícil, mas espero que essa seja a parte legal de tudo e que você me dê trabalho, mas um trabalho prazeroso, quero fazer tudo muito certo, me surpreender, surpreender você, Aifos, Paloma e todos... =) (você não sabe o que é isso né? é um código linguístico que indica que estou feliz!)
Mas o principal, é que quero atingir meus objetivos! Assim como você lutou para alcançar os seus.
Agora vou me despedindo, porque está tarde e, mesmo você sendo o mais importante, creio que entederá que preciso estudar outras coisas (entre todas as coisas, preciso encontrar equilíbrio!), para me aperfeiçoar. Latim, Baudelaire... muitos.

Um abraço,
Mariane, sua mais recente e futura pesquisadora.

25 de maio de 2010

Primeira carta a Jorge de Sena



Oi.
Espero que esteja bem.
Queria conhecê-lo, mais acho que você não ia gostar de mim.
Porque eu acredito em muita coisa que você não acreditava.
Sabe quem te apresentou pra mim? Foi Aifos.
Quando digo que foi Aifos quem te apresentou à mim, sei que você nem sabe quem é Aifos, por isso use um pouco dos jogos que Llansol faz para entender.
Você era o tipo de pessoa que eu procurava e eu com toda certeza não sou como a aluna que você citou em suas correspondêcias com a Sophia, assim por um lado é bom que você nunca me conheça, senão você nunca iria se deixar conhecer por mim.
Novamente quando digo que você era a pessoa ideal para mim, não é porque quero me aproveitar do seu grande sofrimento, mas é porque admiro muito a maneira como lidou com ele. Sei que se você conhecesse pessoas como a Gilda Santos, a Flávia Tebaldi, e outras,(talvez) teria orgulho de um dia ter sido cidadão brasileiro, mas um dia, quem sabe, poderei dizer que você também teria orgulho de mim se estivesse aqui. Através de você, quero eu mesma ter orgulho de mim, e quero que Aifos também tenha (mesmo que hoje não seja assim). Uma pessoa, Paloma, pelo menos eu já consegui conquistar ao escrever sobre você, deixei ela com a curiosidade que você me deixou. Como você conseguiu ser tão diferente daqueles que passaram pelas mesmas situações que você? Queria te conhecer pra você me responder tanta coisa, muitas delas você acharia boba, acharia que é pergunta típica de quem está no terceiro termo de uma faculadade de letras...
Se você estivesse aqui em SP, talvez até quisesse dar uma passadinha pela UFSP, afinal gostava de coisas novas...
Mesmo sem poder ouvir sua voz a responder minhas muitas dúvidas, sei que o que você escreveu vai me responder, e até as pessoas que te conheceram vão ver que eu conheci coisas a seu respeito que nem elas conheceram (isso é um desafio e nele pretendo ir até o fim, mesmo que muita coisa esteja dando errado agora).
Sabe?! Admiro muito o modo como você dividiu, expos, sua vida com seus leitores. Posso não ser como você, mas tenho um pouco de você em mim, mas com um pouco mais de sensibilidade (sem querer dizer que você era insensível, afinal seus carinhos com as palavras para Sophia são tão belos).
Eu tenho muito mais o que falar para você, mais já estou cansada. Espero que você me ajude a te conhecer porque eu estou precisando muito. Tenho exatamente dez meses para falar sobre você e me surpreender comigo mesma ao supreender os outros. Durante esse tempo, espero continuar nossas conversas, onde eu escrevo e recebo suas respostas de maneira aleatória em diversos textos.

Um abraço,
Mariane.