16 de outubro de 2013
Pega-pega
caíam em pé, corriam deitadas
diante do vidro eu observava
uma atrás da outra gritava:
"_Lá vou eu!" e todas disparadas
disputavam o primeiro lugar.
aos poucos ficaram cansadas
e o sol veio a brincadeira acabar
no fim da minha viagem de trem,
já não havia nenhuma gotinha
que pudesse me pegar.
Ganhei!
9 de outubro de 2013
Mutação
ela é ela
ele é ele
ela não é ele
ele não é ela
ela quer ser ele
ele quer ser ela
ela agora é ele
ele agora é ela
SEXO.
30 de setembro de 2013
Europa
Lá vai ele, a Europa o espera e ele nada espera. Tão simples, deseja saber o que os outros querem de lá, enquanto ele só deseja voltar com um globo de neve. Nada de segurar a Torre de Pisa, nada de esperar a meia noite olhando o Big Ben, sozinho: nada de passear pelas gôndolas de Veneza, nada de conhecer o palácio de Versalles, nada de visitar Auschiwtz. Nada. Quer apenas aprender. O mundo só tem graça quando uma pessoa está por perto. Em meio ao sentimento do nada estão múltiplas expectativas. Uma mala cheia de sonhos, com um futuro que a viagem pode deixar mais bonito. Estar entre o espaço e o tempo é o hermetismo da vida.
Marcas
Era um senhor negro, de bigode, tão calvo que sua teste parecia ter dez centímetros. Em seu pescoço havia um colar, usava camisa vermelha, calça e sapato social, e uma jaqueta de esporte. Usava óculos e franzia a testa numa expressão ranzinza, mas no fundo seu olhar era muito doce. Suas mãos batiam no joelho em ritmo de samba, quando não a mão, o pé acompanhava. Não sei qual canção tocava em sua mente. Não sei se seu nome era Noel, Adoniram ou Zé, sei apenas que ele tinha um nome o qual não sei. E uma história. Uma história que, se não foi bonita até agora, desejo que seja.
Futuro
O futuro mora logo ali. O futuro é alto, gordinho e barbudo. O futuro tem cara de mau, mas no fundo é bonzinho. Sorri. O futuro veste-se de forma engraçada, usa um relógio roxo com um bonequinho no visor, calça social, camisa xadrez, tênis vermelho e uma mochila de skatista. O futuro desejou-me boa sorte e então saí. O futuro e eu moramos no mesmo lugar e de cá pra lá são 100 km. Lá é diferente de cá, mas o futuro está nos dois lugares ao mesmo tempo. Lá é arborizado, de grande extensão e cheio de livros, para um grupo seleto de pessoas. Cá é movimentado, tem cimento por todo lado, é grande, mas sem espaço e muito heterogêneo. O futuro me aguarda para falarmos de uma moça que escreve poemas. O futuro e eu gostamos do que ela escreve, de suas discussões e reflexões, é ele quem vai guiar meu pensamento sobre o que ela escreve ou não escreve. O futuro poeta e ela poeta vê, ouve, fala o que todos vêem e não percebem. Ah, o futuro, espero que correspondamos as expectativas um do outro.
26 de agosto de 2013
Seu jeito de amar
Transbordo-me em lágrimas quando penso nesse seu jeito de amar. As pessoas normais não sabem o que é o amor. Tenho medo de ser normal. Tem gente que acha que pode ser feliz sozinho. Eu não. Nunca acreditei nisso. Fomos feitos para estar junto. Em um mundo onde os valores se invertem é estranho dizer que se amará alguém para sempre. Nesse mundo não existe para sempre. Não existe amor. Todos os dias percebo que as palavras não dão conta de representar muitas coisas e o amor é uma delas.
Acordar e ligar para pessoa pelo simples prazer de ouvir sua voz, é estranho. Passar em frente uma loja e imaginá-la calçando aquele mocassim, é estranho. Ouvir "kiss me" e lembrar-se da primeira vez que ela pegou na sua mão e tocou o seu rosto, é estranho. Visitar um apartamento e imaginar todo o seu futuro, ali, com aquela pessoa, é estranho. Tudo parece estranho para quem não ama. É estranho porque quando uma pessoa acorda ela pode ouvir diversas vozes. É estranho porque ela pode ver muitas pessoas calçando mocassim, uma mais bonita do que a outra. É estranho porque a rádio toca músicas muito mais bonitas que "kiss me" e todo o tempo uns tocam os outros e vice versa. É estranho porque o ideal, hoje, é decorar seu próprio apartamento sem ter que dividir ou ceder algo por alguém.
O mundo não sabe compartilhar, por isso estranha esse seu jeito de amar. Minhas lágrimas decorrem porque dentre tantas pessoas que o habitam, eu posso sentir o amor. Não sinto vontade de estar perto de você simplesmente pelo prazer da sua companhia, mas porque ela me faz falta. Não é só porque o seu sorriso é o mais lindo que eu já vi, não é só porque estar perto de você me torna uma pessoa melhor, não é só... é muito mais. Estranho mesmo é o meu jeito de amar.
Sempre me blindei para ninguém entrar no meu coração. Em contrapartida escolhi você para recortar seu coração e colá-lo pertinho do meu, no desenho que estou fazendo sobre a vida. Para ele já recortei uma casinha, uma igrejinha, uma escolinha e você pode escolher aonde podemos colar cada um desses pontos. Do outro lado eu pintei um campo, com a luz do sol e muito próximo podemos ouvir o som do mar. O nosso desenho ficará perfeito quando as outras partes se colarem. Na nossa mesa não faltará o pão, não faltará risos, nem amigos. Na parte de cima desenhei um risco, com corações pendurados, deles chovem muito amor e quem se aproximar não vai estranhar mais, porque o amor é bom. E melhor ainda é esse seu jeito de amar.
25 de agosto de 2013
Voz
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