10 de fevereiro de 2012


"Essa dependência de aceitação
e a espera de atitudes amistosas
leva qualquer um à solidão."

13 de janeiro de 2012

Modele

É como o Sol
porque ilumina o dia
e Pimentas sem sol, não é Pimentas.


Igualdad

"Cuando América Latina tenga funcionarios que amen más al pueblo que al poder, nuestra situación cambiará radicalmente."

M. Witt

Vida

Hoje, pela manhã, acordei com o telefone tocando, todos já tinham saído para trabalhar e eu estava sozinha. Ela me ligava para dizer que estava comprando a passagem do cruzeiro que faria ao Porto-Portugal, morrendo de inveja, mas muito feliz por ela, perguntei quando seria e ela me disse que viajaria amanhã mesmo, mas na verdade me ligava para saber se queria ir junto. Meu coração disparou, ir a Portugal!, num cruzeiro!, não sabia o que dizer, ia pra lá e pra cá, mas numa atitude consciente disse NÃO! Ela estranhou, mas estava tão empolgada com a viagem que não insistiu, apenas disse que ligaria mais tarde e desligou. Disse a pouco "numa atitude consciente" porque sabia que não teria como pagá-la e se viajar para Portugal fosse barato, já teria ido.
Mais tarde, depois de seu segundo telefonema, no mesmo dia, saímos, caminhamos pela praia, conversamos muito e eu passei pra ela todo o roteiro que deveria seguir ao chegar em Portugal. Deveria visitar o túmulo de Inês de Castro, a estátua de Almeida Garrett, a praça de Camões e sentar-se no banco onde Antero de Quental suicidou-se, ela ria muito e não aguentava minhas recomendações literárias, dizia "Mil vezes credo" e entendi que ela aproveitaria de outra forma. Quando nos despedimos, ela disse que traria muitos presentes, enviaria postais e não deixaria de ligar.
Hoje acordei pensando por que ainda não me ligou? Já se passaram dois dias e nada, mas achei-me um pouco egoísta, afinal sua ausência era porque aproveitava a viagem, mas de repente o telefone tocou e era ela, fiquei muito feliz!, disse que estava se bronzeando, que tinha conhecido um português bonitão que voltava para sua terra, que dividia o quarto com uma professora de literatura, e sentiu-se perseguida por mim. Rimos. Ela prometeu tirar fotos dos lugares que recomendei, disse que estava com saudade e mais cinco dias chegava ao Porto, em quinze dias estaria de volta. Desligamos.
No outro dia, pela manhã, recebi uma mensagem e era ela, dizendo que o dia estava péssimo, muito nublado, por isso não foi à piscina, logo não encontrou o tal português bonitão, enquanto isso a professora de literatura ficava lendo e comentando um monte de livros que ela não conhecia. Ri demais, continuando, disse indignada que saiu do Rio de Janeiro para Portugal para ter dias acinzentados, como pode?!
A noitinha ela me ligou muito preocupada, disse que chovia muito em alto mar, que tinha sido sábia ao comprar a passagem do melhor navio porque com a tempestade, as ondas gigantescas e as trovoadas tenebrosas, ninguém podia sair do quarto, a professora de literatura estava dormindo e ela não entendia como, estava triste porque não fui e tudo o que ela queria era chegar logo ao Porto. Para acalmá-la disse que faltava só um dia, que ela deveria se apegar a essa ideia, tentar não se preocupar e dormir, amanhã seria um dia lindo; ela deu risada e concordou dizendo que não esqueceria meu postal.
Nessa noite eu estava muito cansada, fiquei o dia inteiro na universidade, tive aula e monitoria, exaustão era pouco para me definir, fui dormir porque no outro dia bem cedinho tinha grupo de estudos. Ao acordar, olhei no relógio e estava atrasada, como todas as sextas, peguei o carro e estranhei, ontem estava um dia ensolarado e hoje uma chuva terrível, lembrei-me dela, será que a chuva tinha passado?, de qualquer forma estava atrasada, tinha que me concentrar e dirigir devagar, as ruas estavam até vazias, então tive a liberdade de andar um pouquinho mais rápido, de repente meu celular tocou, pensei, era ela me ligando com certeza!, minha bolsa estava no banco ao lado, cheia de bagunças, eu procurava o celular e dirigia ao mesmo tempo, então achei e atendi, ela me disse, com uma voz bem baixinha, que seu navio colidiu com um iceberg e havia naufragado, queria falar comigo pela última vez; sem entender nada, com desespero e sem controle, perdi a direção do carro, que rompeu a barra de proteção de uma ponte e caiu no mar... e aquela foi a última vez que recebi uma ligação da vida.

24 de dezembro de 2011

Natal


"mais do que uma data de presentes,
mais do que os corações quentes,
mais do que a crença no Papai Noel,
trazendo seus famosos presentes, para pessoas carentes.
É natal,
tal data que é especial,
pelo nascimento de Jesus,
que foi morto na cruz,
para salvar,
aqueles que queriam o matar.
Jesus, o filho de Deus,
desceu aqui, morreu aqui,
deixando um exemplo de vida,
que deve ser seguida.
Que todos façam como tal,
e tenham um Feliz Natal!"

J.Marchandt

Fotografia


O sinônimo de fotografia é lembrança.

17 de agosto de 2011

Dor da perda


Como todos, ela não está preparada para a dor.
Sentiu, nesses últimos dias, muita dor. A dor de perder.
Não de perder um amo, mas de perder pra valer.
Ela sabia que sofreria se algumas pessoas partissem, mas não tanto.
Sorte, não sei, ela nunca perdeu ninguém.
Quando está diante da morte, não sabe o que dizer, na verdade a maioria das pessoas não sabem o que dizer diante da morte.
Dar um abraço, chorar junto, é o máximo a fazer.
Ela já esteve diante da morte. Mas a morte não a abraçou.
Certa vez, em casa, chegou um vizinho e disse que alguém muito especial havia levado um tiro. Sem saber o que fazer, chorou e orou. Não sabia o que fazer. Este foi o momento mais próximo dela diante da morte.
Ah, já estava a esquecer-me, uma vez disseram à ela que outra pessoa muito especial poderia estar muito doente e de pensar seu coração se entristeceu. Entristeceu.
Passados muitos tempos ela encontrou a realidade.
Quando alguém levou um tiro, ela não foi ao hospital. Quando alguém suspeitava estar com uma doença muito grave, ela não foi ao médico.
Agora foi.
Medo de perder.
Ela realmente não sabe lidar com a dor. Não com a dor de carne ou de alma, mas a dor de perder.
Ele estava com um rostinho tão choroso. Não sorria. Sentia dores. Chorava.
Ela ao saber de sua internação, sonhava. Não com a recuperação, mas com a perda.
Ao visitá-lo, lembrava das manhãs que era acordada com aquele sorrizão e com aquela voz que a chamava por um apelido infantil, único, de quem ainda não sabe falar nomes com a letra "R".
Ao visitá-lo, lembrava do dia que tomou muita chuva para não deixá-lo se molhar, lembrava dele a chamando para brincar... Lembrava.
Que medo da perda, pensava ela.
Se despedia enquanto ele chorava, pedindo para que ela ficasse. E saia chorando, com medo da perda.
Tinha a certeza que não estava preparada para a dor. Compartilhava o sofrimento de alguns. Compreendia.
_Ele está de alta! Disse a médica.
Alegria infinita.
Sinceramente dessa vez a morte passou muito longe. Até ela chegou apenas a reflexão.
Amar, demonstrar.
Abraçar quando alguém vier acordá-la, mesmo sem querer. Brincar, mesmo quando estiver cansada. Buscá-lo na escola, sem atrasos. Dividir o macarrão instantâneo e o chocolate é amor.
Talvez isso amenize a dor da perda. Para adultos e crianças.