17 de agosto de 2011

Dor da perda


Como todos, ela não está preparada para a dor.
Sentiu, nesses últimos dias, muita dor. A dor de perder.
Não de perder um amo, mas de perder pra valer.
Ela sabia que sofreria se algumas pessoas partissem, mas não tanto.
Sorte, não sei, ela nunca perdeu ninguém.
Quando está diante da morte, não sabe o que dizer, na verdade a maioria das pessoas não sabem o que dizer diante da morte.
Dar um abraço, chorar junto, é o máximo a fazer.
Ela já esteve diante da morte. Mas a morte não a abraçou.
Certa vez, em casa, chegou um vizinho e disse que alguém muito especial havia levado um tiro. Sem saber o que fazer, chorou e orou. Não sabia o que fazer. Este foi o momento mais próximo dela diante da morte.
Ah, já estava a esquecer-me, uma vez disseram à ela que outra pessoa muito especial poderia estar muito doente e de pensar seu coração se entristeceu. Entristeceu.
Passados muitos tempos ela encontrou a realidade.
Quando alguém levou um tiro, ela não foi ao hospital. Quando alguém suspeitava estar com uma doença muito grave, ela não foi ao médico.
Agora foi.
Medo de perder.
Ela realmente não sabe lidar com a dor. Não com a dor de carne ou de alma, mas a dor de perder.
Ele estava com um rostinho tão choroso. Não sorria. Sentia dores. Chorava.
Ela ao saber de sua internação, sonhava. Não com a recuperação, mas com a perda.
Ao visitá-lo, lembrava das manhãs que era acordada com aquele sorrizão e com aquela voz que a chamava por um apelido infantil, único, de quem ainda não sabe falar nomes com a letra "R".
Ao visitá-lo, lembrava do dia que tomou muita chuva para não deixá-lo se molhar, lembrava dele a chamando para brincar... Lembrava.
Que medo da perda, pensava ela.
Se despedia enquanto ele chorava, pedindo para que ela ficasse. E saia chorando, com medo da perda.
Tinha a certeza que não estava preparada para a dor. Compartilhava o sofrimento de alguns. Compreendia.
_Ele está de alta! Disse a médica.
Alegria infinita.
Sinceramente dessa vez a morte passou muito longe. Até ela chegou apenas a reflexão.
Amar, demonstrar.
Abraçar quando alguém vier acordá-la, mesmo sem querer. Brincar, mesmo quando estiver cansada. Buscá-lo na escola, sem atrasos. Dividir o macarrão instantâneo e o chocolate é amor.
Talvez isso amenize a dor da perda. Para adultos e crianças.

2 de agosto de 2011

Confusão



Já não sei o que sinto.
Sei que não quero magoá-lo.
Há um tempo não penso em "nós" e não sei o que fazer.
Antes pensava no futuro, acreditava que seria possível. Hoje não penso em nada.
Por mais que ainda haja algo em você que eu admire, não sinto aquela falta.
Penso em milhares de coisas, mas você não é mais a primeira delas. É uma delas..
Eu queria entender o que está acontecendo com meu coração.
O que eu mais quero é saber o que Ele tem para mim. O que é que Ele quer.
Sonho com uma vida diferente da que temos, não sei o que conheço em dois anos.
Acho que não quero mais. Mas penso que daqui há algum tempo tudo pode mudar e... volto a não saber o que quero.
Preciso de um tempo pra saber se sinto sua falta. Falta de nós.
Não quero magoá-lo.
Com carinho e sem pseudônimos.

25 de julho de 2011


O criador conhece bem a criação e procura construí-la com o que há de melhor. Com o tempo a criação apresenta defeitos, lá vem o criador concerta e/ou aperfeiçoa, de repente a criação apresenta vontade própria e o que faz o criador? A deixa livre. Livre, ela não sabe cuidar de si mesma, não compreende seu próprio funcionamento, então volta e pede ao criador:"_ Faça a tua vontade!"

21 de julho de 2011


Na área de lazer de um prédio haviam duas crianças.
Uma mãe arruma o filho, coloca aquela sandalinha esportiva e carrega sua bicicleta.
O filho se cansa e então ela pega o chinelo do Ben10, mais confortável.
A mãe queria porque queria comprar uma bicicleta para o filho, mesmo que ele não quisesse. Ela sempre quis ter uma bicicleta quando criança, então daria ao filho. Normal. Pais desejam dar o melhor aos filhos.
O outro menino que estava na área de lazer, estava descalço, sujo, com roupas rasgadas e observava a bicicleta. Aproximou-se e perguntou: _ essa bicicleta é dele?
e a mãe do menino disse: _sim. Algo doeu em seu coração.
O menino andou, andou, andou em sua bicicleta até cansar-se e outro observou até cansar-se.
A mãe disse: _filho, deixa aquele garoto andar na sua bicicleta? e ele respondeu: _não, mamãe quero entrar, estoou cansado. Mesmo assim a mãe chamou.
O menino descalço, sujo, com roupas rasgadas mesmo com a insistência não andou de bicicleta e ficou observando, observando sozinho sem nenhuma criança.

Quando era criança tive uma bicicleta, mesmo aprendendo andar somente com doze anos. Gostava de ter uma bicicleta. Hoje o que eu gostaria é que todas as crianças tivessem uma bicicleta. Amanhã o menino cansado também vai desejar isso.

20 de julho de 2011


Há dias e dias.
Tem dias que preciso despedir-me de mim mesma.
Dias de crescer. Preciso crescer. Escolher.
Escolha por mim, assim não erro.
Tem dias que sei quase tudo e acerto de primeira, mas
se me metamorfosear for despersonalizar-se, eu aceito a condição.

19 de julho de 2011

Reencontro dos sonhos


Meu velhinho em Bodocó.
Comendo queijinho com doce de leite. Bodocó não fica em Minas.
Ele viajou e meu sonho começou a se realizar.
Meu velhinho me chamou e disse: "Vem vê as fotos!" Feliz.
Já voltou de viagem.
Lá, reencontrou parentes, chorou, relembrou naquele sítio a infância. Descansou da vida agitada de São Paulo e agora tem seus documentos de velhinho acertos em sua cidade. Creio que vai conseguir aposentar-se.
Me dói todos os dias pela manhã vê-lo sair com a velhinha para trabalhar. Eu chego e eles ainda não chegaram, muitas vezes chegam e dizem que não fizeram quase nada de dinheiro. Meu velhinho tem mais cabelos brancos que o normal para sua idade, são as preocupações.
E eu tenho mais sonhos que o normal para a minha idade.
Meu velhinho está tão feliz!
Ele é tão correto. Agora com a aposentadoria, vai fechar o bar, vai abrir uma loja e principalmente: vai com toda a família à igreja.
Meu sonho vai se realizar.
Quero ver meu velhinho feliz assim todos os dias, tendo a certeza que vai conseguir pagar as contas no fim do mês, tendo a certeza de que o tempo não o apaga da memória daqueles que ficaram em Bodocó.
Parece até que ele tem mais vida agora.
Meu velhinho é o melhor avô, pai, amigo que alguém pode ter.
Sempre achei baboseira essa coisa de que o pai é o herói do filho. Mas é verdade.
Meu avô é meu herói, porque ele tem tanto coisa na mente e mesmo assim se importa em saber como eu estou, se feliz ou triste, se as coisas estão dando certo na faculdade e até mesmo na igreja. Ele é correto, sensato, amoroso... ele é incrível.
Seu reencontro me proporcionou o início da realização do meu sonho.

ps.: pessoas perguntam: pra que você quer passar no vestibular? "_Quero conseguir com bom emprego, fazer mestrado e doutorado e comprar uma casa para meus avós, pais e tios, apesar de saber que Deus pode fazer tudo isso."
pessoas perguntam: qual os eu maior sonho? "_Dizer eu e minha casa servimos a Deus."

11 de julho de 2011

Diferença igualitária



Note a diferença entre a cor da pele e o branco dos dentes?
Mas não é exatamente disso que vou falar.
Há muito quero escrever, enfim...

Em um ônibus havia uma jovem rodeada por adolescentes desconhecidos. estranhos, na verdade. estranhos para ela, como jovem, mas absolutamente normais entre eles.
Ela estava bem no meio deles, ônibus lotado. São Paulo, às 12h, e o trajeto passa por pelo menos quatro escolas. Natural ter muitos adolescentes ali. De qualquer maneira ela não levantaria para ficar em pé e deixar os adolescentes livres para falar mais besteiras.
Dos que estavam ao seu redor, quatro eram brancos e um negro. Até aí não há nada de importante nisso. Seguindo.
Era perceptível que o garoto negro era mais novinho que os outros. mais pobre que os outros, pelas roupas e material escolar e principalmente: mais inocente.
O que a irritava não era a presença dos adolescentes, porque ela gosta muito de adolescente, mas seus comportamentos.
Tudo o que ela ouvia a levava à reflexão. Os brancos faziam o garoto negro de bobo, xingavam mãe, pai, eram estúpidos e estragavam o pouco material que o garoto negro tinha. Mesmo assim, ele permanecia com eles.
Eles falavam que o menino era fedido, era burro, pretinho, não pegava ninguém e mesmo assim o menino permanecia ali.
Ela pensava: "Que bom que você é diferente!" e ao mesmo tempo pensava: "Por que você quer ser como eles?"
O menino negro era diferente, mas queria ser igual.
Igual, por/que infelizmente o mundo é injusto?! Talvez.
A agonia da jovem a observar isso foi tão grande que ela exclamou:"_COMO VOCÊS SÃO BOBOS, IDIOTAS!!! Por que fazer isso?" E eles pararam. E ela chorou.
De verdade, o nenino negro era o mais lindo, tinha a pele mais uniforme que ela já viu, tinha o sorriso mais lindo, o jeito mais fofo e não precisava passar por aquilo. Ele foi o único que a respondeu e disse: "_Não fala assim com os meus amigos!"
Ela entendeu, deu sinal e desceu do ônibus.
Entendeu que certamente para aquele menino, aqueles garotos eram realmente seus amigos, talvez porque ninguém além deles quisesse a companhia dele, talvez porque em enrrascada eles fossem os únicos a defendê-lo. Mas a principal coisa que ela entendeu é que no tempo certo ele compreenderia o seu valor.