26 de novembro de 2010

Poema da mudança

Mudei.
Simples assim.

Não tenho técnica
Não sou poeta.

Mas sei que poeta ama,
e eu amo. Então sou poeta?

Poeta enxerga tudo de um jeito diferente.
Poeta é o artista da linguagem.

Sabia que precisa estudar a vida inteira pra 'entender' poesia?
É, e mesmo assim tem gente que não entende.

A vida é poesia, dotada de sentimentos e de sofrimentos,
só queria que não ocorresse mudanças mas você está deixando eu me adaptar a elas.

25 de novembro de 2010

"Minha memória me mata e me tortura. Lembra-me de coisas felizes que vivi e não viverei mais porque vais partir. Mas me alegra, porque me lembra de momentos felizes que vivi contigo."

Para minha professora querida, Sofia.

Muriel - Ruy Belo

Não sejas Muriel a mim
Às vezes se te lembras procurava-te
retinha-te esgotava-te e se te não perdia
era só por haver-te já perdido ao encontrar-te
Nada no fundo tinha que dizer-te
e para ver-te verdadeiramente
e na tua visão me comprazer
indispensável era evitar ter-te
Era tudo tão simples quando te esperava
tão disponível como então eu estava
Mas hoje há os papéis há as voltas dar
há gente à minha volta há a gravata
Misturei muitas coisas com a tua imagem
Tu és a mesma mas nem imaginas
como mudou aquele que te esperava
Tu sabes como era se soubesses como é
Numa vida tão curta mudei tanto
que é com certo espanto que no espelho da manhã
distraído diviso a cara que me resta
depois de tudo quanto o tempo me levou
Eu tinha uma cidade tinha o nome de madrid
havia as ruas as pessoas o anonimato
os bares os cinemas os museus
um dia vi-te e desde então madrid
se porventura tem ainda para mim sentido
é ser solidão que te rodeia a ti
Mas o preço que pago por te ter
é ter-te apenas quanto poder ver-te
e ao ver-te saber que vou deixar de ver-te
Sou muito pobre tenho só por mim
no meio destas ruas e do pão e dos jornais
este sol de Janeiro e alguns amigos mais
Mesmo agora te vejo e mesmo ao ver-te não te vejo
pois sei que dentro em pouco deixarei de ver-te
Eu aprendi a ver a minha infância
vim a saber mais tarde a importância desse verbo para os gregos
e penso que se bach hoje nascesse
em vez de ter composto aquele prelúdio e fuga em ré maior
que esta mesma tarde num concerto ouvi
teria concebido aqueles sweet hunters
que esta noite vi no cinema rosales
Vejo-te agora vi-te ontem e anteontem
E penso que se nunca a bem dizer te vejo
se fosse além de ver-te sem remédio te perdia
Mas eu dizia que te via aqui e acolá
e quando te não via dependia
do momento marcado para ver-te
Eu chegava primeiro e tinha de esperar-te
e antes de chegares já lá estavas
naquele preciso sítio combinado
onde sempre chegavas sempre tarde
ainda que antes mesmo de chegares lá estivesses
se ausente mais presente pela expectativa
por isso mais te via do que ao ter-te à minha frente
Mas sabia e sei que um dia não virás
que até duvidarei se tu estiveste onde estiveste
ou até se exististe ou se eu mesmo existi
pois na dúvida tenho a única certeza
Terá mesmo existido o sítio onde estivemos?
Aquela hora certa aquele lugar?
À força de o pensar penso que não
Na melhor das hipóteses estou longe
qualquer de nós terá talvez morrido
No fundo quem nos visse àquela hora
à saída do metro de serrano
sensivelmente em frente daquele bar
poderia pensar que éramos reais
pontos materiais de referência
como as árvores ou os candeeiros
Talvez pensasse que naqueles encontro
sem que talvez no fundo procurássemos
o encontro profundo com nós mesmos
haveria entre nós um verdadeiro encontro
como o que apenas temos nos encontros
que vemos entre os outros onde só afinal somos felizes
Isso era por exemplo o que me acontecia
quando há anos nas manhãs de roma
entre os pinheiros ainda indecisos
do meu perdido parque de villa borghese
eu via essa mulher e esse homem
que naqueles encontros pontuais
Decerto não seriam tão felizes como neles eu
pois a felicidade para nós possível
é sempre a que sonhamos que há nos outros
Até que certo dia não sei bem
Ou não passei por lá ou eles não foram
nunca mais foram nunca mais passei por lá
Passamos como tudo sem remédio passa
e um dia decerto mesmo duvidamos
dia não tão distante como nós pensamos
se estivemos ali se madrid existiu
Se portanto chegares tu primeiro porventura
alguma vez daqui a alguns anosjunto de califórnia vinte e um
que não te admires se olhares e me não vires
Estarei longe talvez tenha envelhecido
Terei até talvez mesmo morrido
Não te deixes ficar sequer à minha espera
não telefones não marques o número
ele terá mudado a casa será outra
Nada penses ou faças vai-te embora
tu serás nessa altura jovem como agora
tu serás sempre a mesma fresca jovem pura
que alaga de luz todos os olhos
que exibe o sossego dos antigos templos
e que resiste ao tempo como a pedra
que vê passar os dias um por um
que contempla a sucessão de escuridão e luz
e assiste ao assalto pelo sol
daquele poder que pertencia à lua
que transfigura em luxo o próprio lixo
que tão de leve vive que nem dão por ela
as parcas implacáveis para os outros
que embora tudo mude nunca muda
ou se mudar que se não lembre de morrer
ou que enfim morra mas que não me desiluda
Dizia que ao chegar se olhares e não me vires
nada penses ou faças vai-te embora
eu não te faço falta e não tem sentido
esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido

24 de novembro de 2010

Texto besta de quem não tem nada de inteligente para escrever



Coisa de gente que ama alguém

Sabe quando você não está procurando ninguém e esse ninguém resolve aparecer como um alguém pra mudar a sua vida?
Você se sente mais bonita, afinal se arruma mais. Você se sente mais admirada, afinal tem alguém diferente te olhando de um jeito diferente e isso é o mais importante. Você tenta evitar, mas sem perceber já está pensando nele.
Isso é coisa de gente que ama alguém.
É assim que ela se sente quando pensa em seu namorado. Quando o conheceu tinha 18 anos, primeiro ano da faculdade, super enturmada com todos, fazia parte de dois grupos de estudo, tinha um papel importante em suas atividades cristãs, sentia falta de ter alguém, mas isso era muito de vez em quando.
De reprente ele apareceu. Muito crítica, ela foi verificar se ele tinha todas as características que no fundo ela procurava em alguém, mas custava acreditar que era possível. Descobriu que ele tinha. Ela não precisou fazer muita coisa. Passou algum tempo e eles estavam juntos.
Eles estão juntos há mais de um ano e o amor existe. Ele conquistou muita coisa e ela também. Mas perderam muita coisa. São tantas as atividades que não têm tempo para o namoro e parece que ele não percebe. Ela fala, fala, fala, até enche o saco, mas é porque quer que tudo melhore, não quer que tudo se perca.
Por isso que eu digo pense bem em tudo que for fazer, decidir, antes e depois.

Na primeira atividade não é preciso deixar de lado e sim agendar.
Na primeira viagem se não for como planejado replaneje, não desista.
Realize um sonho como aliançar.
Não falte nas festas de família.
Não se chateie por qualquer coisa.
Acompanha ela(e) uma vez por mês na igreja.

"O que é importante pra um tem que ser para os dois. O que faz um sofrer tem que fazer os dois. O tempo tem que aproximar e não afastar."

Existe alguém que pode fazer e decidir por você e Ele te conhece melhor que você mesma.

12 de novembro de 2010

III carta a Jorge de Sena


Oi, não vou falar muito.
Vejo que os estudos sobre você estão na adolescência e pergunto-me se vale a pena?
Estou bem atrasada nas pesquisas e o medo de não conseguir me pertuba. Tenho tantas coisas para entender antes de cair fundo na poesia.
Teve semana de letras. Apresentei parte do trabalho sobre você, coisa simples, e gostaram. Até ganhei um abraço de Aifos.
Volto. EStou confusíssima! Para entender a relação do portuguÊs com a pátria tenho que ler um livro de um amigo seu, Eduardo Lourenço, "O labirinto da saudade", será que você chegou a ler esse livro?
Poxa vocês devem ter nasciso mais ou menos na mesma época, você morto a 20 anos e ele vivo, estranha vida. Volto. O livro é muito difícil de entender, leio, releio, e nada. O pior é que sei que vou me deparar com o LOurenço muitas vezes no decorrer da vida acadêmica na literatura portuguesa.
Não sei como vou fazer. Aifos vai me ajudar com o labirinto, mas logo vai embora, e ai? o que vou fazer? tenho tanta coisa pra ler, tenho que escrever muitíssimas coisas e nada.
Está difícil, estou perdida, vou comprar livros.
Vê se me ajuda!!!

4 de outubro de 2010

Casos da vida e do andar

Nos primeiros domingos dos dois últimos meses aprendi grandes lições. Pra vida. Já há algum tempo a humildade vem conversando comigo de modo simples mas muito importante. No primeiro mês, durante a semana e fechando com o domingo, observei um homem, na igreja, que é paralítico. Ele sempre chega sorridente, cumprimenta todos que estão perto e aqueles que ficam observando-o, inclusive eu; só vejo ele chorando quando está muito feliz com alguma coisa que acontece na igreja. Quando ele chega, obviamente não pode se ajoelhar como a maioria das pessoas fazem ou "deveriam" fazer, em sinal de reverência ele se inclina de uma tal maneira que é evidente o quanto ele é grato por estar ali, simples assim, e ora durante um tempo e quando levanta é possível perceber lágrimas em seus olhos, mas não são de tristeza. Durante o mês de outubro os jovens prepararam um musical e uma das canções dizia: "(...)Já posso ver um paralítico saltar depois de esperar tanto tempo para andar." e sempre que pensava nesse frase e principalmente quando a cantei esparava ver isso acontecendo com ele, mas não; Mesmo assim ele é feliz, tanta gente "perfeita" e ingrata, ele me ensina o valor... No segundo domingo algo também interessante ocorreu, estava na igreja e de repente um coral levantou para cantar e eu estava em um ângulo que não tinha uma visão muito boa do que estava ocorrendo, procurava o maestro do coral porque gostei muito da música, da abertura das vozes, enfim queria saber quem era. De repente vejo muitas pessoas chorando emocionadas e tendo aprendido uma grande lição, vi o pastor com uma cara bem séria derramando lágrimas se ter o que dizer, quando o coral sentou vi que o maestro era um cadeirante e que naquela manhã nenhum outro coral falou tão profundamente com a igreja como aquele. Nada impede ninguém de fazer nada, talvez dificulte, mas não impede. Nunca tinha visto um maestro paraplégico e maei ter visto um. Encontrar pessoas como aqueles dois homens me fez muito bem e me e ensina o valor. Tão simples ser feliz!