27 de novembro de 2014

singular

| adj. 2 g. | s. m. | s. m. pl.
1. Individualúnicoisolado.
2. Que vale  por si.
3. Significativo
4. Terminante.
5. Distintonotávelextraordinário.
6. Particularespecial.
7. Excêntricoesquisito.
8. Não vulgarraro.
9. Excelente.
10. [Gramática Valor da categoria número que indica a quantidade um. = NÚMERO SINGULAR




o problema está em não se reconhecer
em ser manipulada e considerar que
o problema é culpa sua
você não é singular pelo problema
talvez não saiba que é singular
precisa de um outro para dizê-lo
não é tão chata quanto pensa
é mais linda do que pensa
e pensa, se alguém não sabe
o problema então é ele
chega de comparações
o que lhe falta é saber

10 de novembro de 2014


Carl Borderline nasceu no limite
aqui e ali
ama demais
sofre demais
sobra demais
chora demais
fere-se demais
medo demais

(abandono)

impulsivo demais
irrita demais
ri demais
ir demais
Carl Borderline morreu de amor.

7 de novembro de 2014


não sofra, meu bem
tudo passa
lembre-se:
"todos os dias
Ele deixará um buquê
na sua porta, pois
quando a rejeição vier
você não ficará sem pétalas"
fingir saber lidar
com o erro é
enganar-se com flores.
te esperam num lugar
que faz muito frio, mas
há saber, sorrisos
talvez sentimentos.
nada ficará para trás
só a dor daquele que foi.
escreva, meu bem
o futuro não é pouco



30 de outubro de 2014

O amor é uma loucura


Ah, o casamento!
Toda ou quase toda menina, já que os tempos são modernos, sonha em casar.
É um fato, um dia dois estranhos, que namoram para deixar de ser estranhos, decidem unir as vidas.
Educação, cultura, costumes, tudo muito diferente: se unem.
A decisão naturalmente acontece, mas quando falta pouquinho tempo é que se dá conta: "você vai casar", é uma mistura de sentimentos.
Você conta cada minuto que passa com seus entes queridos, e cada volta pra casa se aproxima da última volta pra casa.
Na adolescência tudo que se quer é estar longe dos pais, da família; quando o casamento se aproxima, tudo que se quer é estar perto.
Aos poucos tudo vai parecendo real, não que não fosse antes.
Você relembra as mágoas e se pergunta se vale a pena, imediatamente vêm as coisas boas respondendo que sim.
Você pensa se vai ou não ter festa, mas sabe que lua de mel tem que ter com certeza. Conta cada centavo pra saber se dá pra fazer tudo com a carinha dos dois, coisas inexplicavelmente boas acontecem e as ruins também. No fundo você só quer uma coisa: que a pessoa com quem você escolheu dividir toda a vida te dê segurança, te faça sentir única no mundo e a mulher mais amada. Se você sentir isso, vai lavar, passar, cozinhar feliz da vida. e ainda estará arrumada e cheirosa quando ele chegar, mesmo tendo trabalhado o dia todo também.
Você idealiza um monte de coisas que nunca saberá como serão a não ser que seja o seu momento de vivê-las. Mulheres têm o dom de criar toda uma história, a partir de detalhes, por isso enlouquecem mais que os homens. Enquanto elas se descabelam, eles sorriem,e como sorriem!
Toda essa loucura chama-se amor, é um sentimento estranho que causa mudanças repentinas e drásticas na vida de duas pessoas e toda sua família. O casamento é o surto psicótico de todo louco que diz amar.

29 de outubro de 2014

Insegurança (parte dois)


Há alguns anos, quando pela primeira vez a escritora falou sobre insegurança, ela a associou ao casamento, disse que toda noiva antes de entrar na igreja pergunta se o noivo já está lá - mas afinal, por que não estaria? E por que, de fato, toda noiva pergunta isso?
Hoje ela parte para uma nova viagem. Constantemente ela sente vontade de viajar, como se de alguma maneira a viagem tivesse alguma relação com a escrita, mas ela não sai do mesmo lugar e pior, a viagem não tem relação nenhuma com a escrita, essa é a desculpa que ela inventa para fugir de si mesma.
Hoje ela decidiu não justificar o texto, cansou-se da perfeição que lhe é exigida (exigida do texto, é claro). Em que medida essa vontade de fugir que sente a escritora relaciona-se com a insegurança? Será que as noivas têm medo de que seus futuros maridos saiam correndo da igreja quando elas chegam? Será que é por isso que se arrumam tanto, pensam que se estiverem bonitas eles terão um motivo a mais para ficarem?
Hoje, quando viajou de uma estação de trem para outra, ela rememorou. Eu estou contando essa história, mas já não sei quem viajou, se foi ela ou a noiva, ou se ela é a própria noiva. Sei que as lembranças de sua família, das mulheres - que não foram deixadas no altar, mas ficaram sós logo depois -, do seu relacionamento - de um homem que parece ser só de uma mulher -, a acompanham dia após dia, e ela sente vontade de escrever sobre isso, mas não sabe.
Elas são medrosas, deixam o destino conduzir esse trem que faz viagens circulares. Avó, mãe, tia, todas casaram, já, já esse trem para na estação casamento. Ela pediu à escritora que elaborasse uma declaração muito bonita, mas de vale as palavras se as ações não corresponderem?


2 de setembro de 2014

perfeição

às vezes eu tenho a sensação de que querem que eu seja perfeita. eu não posso falar um palavrão. eu não posso comer antes do meu namorado, e nem posso não saber o que comer. eu tenho que entender que o dinheiro não é o bastante. tenho que sorrir, mesmo se estiver de mau humor porque ninguém tem nada a ver com isso. eu tenho que perdoar, mesmo se vivo insegura. eu tenho que saber lavar, passar, cozinhar. eu tenho que entregar uma tese em 24 meses, mesmo sem receber um tostão do dinheiro que me é devido. eu tenho que ser simpática com piriguetes, quando na verdade adoraria dar uns bons tapas na cara de cada uma delas. eu tenho que ser magra. tenho que recepcionar às pessoas como se o que passei durante o dia não tivesse importância e ainda tenho que dar atenção. tenho que saber em qual lugar sentar. tenho que organizar tudo. tenho que entender que pessoas que "deveriam" me ajudar, não me ajudam, e elas ainda têm que ser muito "especiais". mesmo eu sendo um amorzinho ainda sou mal tratada, mas tenho que entender e não esperar nada em troca. eu tenho que ligar para dar parabéns, tenho que mandar mensagem, tenho que responder na hora, mas comigo: nada.

surpresa


eu dizia para a menina "deixe de ser romântica, os homens não são como nos contos de fadas." e ela sonhava. Lia tanto e imaginava... dizia que sim, existia um homem que lhe traria flores, por detrás das costas, e depois de um beijo cheio de amor, as entregaria, dizendo que ela era a mulher de sua vida. a menina acreditava veemente que esse mesmo homem, lembraria de todas as datas comemorativas e em cada uma delas faria algo diferente (nada que custasse muito caro), como pendurar balões no teto, com fitilhos amarrados às fotos deles. fotos não faltariam porque ele seria o tipo de homem que gosta de registrar cada momento, tornando-o único. eu dizia "menina, quanto mais sonha, mais iludida fica e quando acordar vai se frustrar". ela dizia que o amor era como uma plantinha, e eu dizia que era isso mesmo, o problema é que eu nunca vi um homem regar plantinha a não ser jardineiro. e ela ria de mim. não passou muito tempo e como uma profecia, tudo que eu dizia se cumpriu. a menina vivia fazendo pequenas surpresinhas e nada. vivia dando dicas do que queria e nada. e eu sentia saudade daquela menina que era sonhadora, pois ia ficando amarga, amarga, amarga. jamais diria a ela "termine com este rapaz" por que ele era singular. gentil. respeitável. amoroso. inteligente. trabalhador. o problema era essa coisa de menina que ela tinha. o que eu queria mesmo dizer a ela é "MUDE",  porque o que ela esperava não existia. pedir que um homem seja tudo isso e romântico é sonho e sonho é sonho, não realidade. de todo modo, eu não podia dizer-lhe isso, porque todas essas fofurices que criava e desejava tornavam-a singular também. enfim, disse a ela que entre ela e o mundo havia um descompasso, que se ela desejava viver todo esse sonho, bastava que ela dormisse pra sonhar de verdade e foi o que ela fez. o problema foi que a menina não acordou mais...