12 de junho de 2014

Fuga


Quanto mais o tempo passa mais eu me sinto deslocada.
quase todo dia eu gostaria de ter um lugar pra chamar de meu,
eu acordo de manhã e minha família come carne, de cabrito
e eu quero apenas os pães que não têm.
Tenho medo de estar enlouquecendo.
pelos últimos dados a pessoa que eu amo, também,
gostaria que eu fosse outra pessoa.
Hoje tem jogo, mas eu não sou torcedora.
eu quero fugir, mas quanto mais corro, tropeço
e não saio do mesmo lugar.
o reflexo que vejo nesse lago não é o meu,
mesmo que eu esteja de frente para ele.
Preciso mergulhar.

30 de maio de 2014


os poemas mais bonitos que li sobre o mar
são de sophia
não sei se a liberdade é filha da sabedoria
mas sempre soube que no mar
ela encontrara seu lar.
seus longos cabelos cheiram
a salinidade das águas,
entre seus dedos tem areia
e o seu corpo como de sereia
nada além mar.

na adolescência ouvia dizer
que queria velejar,
surfar, como quem dança sobre o mar
e caminha deixando sua calda.
os sons que ouço das conchas
são de seu canto
e a imagem que vejo nos raios do sol
é a de seu sorriso, quando as tartarugas
vêm em seu colo se acalmar.
o tempo passa e o que eu vejo no mar
é justamente o que eu não posso ver
infinitude.
é assim que me sinto
ao lembrar da menina do mar.


26 de maio de 2014

O mesmo rapaz


Todos os meus poemas são para o mesmo rapaz.
Diferente do "poetinha" eu não tive nove amores,
mas desejo que meu único amor seja eterno.

Há quase cinco anos eu escrevo para o mesmo rapaz.
Na verdade eu escrevia para ele e sobre ele,
mesmo antes de o conhecer.

Meus textos mais elogiados são sobre o mesmo rapaz.
Poesia não é autobiografia e eu tento criar,
mas amor que toca à alma é amor vivido.

Minhas alegrias são proporcionadas pelo mesmo rapaz.
Seu sorriso é encantador e suas piadas são as melhores,
não pela graça, mas pelo intuito de me fazer rir.

O melhor café é feito por esse mesmo rapaz.
Pães fresquinhos, leite quente, um docinho
e todo sentimento do mundo à mesa.

As músicas que marcam minha história,
tocam no carro desse mesmo rapaz.
é uma retrospectiva sonora do que há de mais belo.

Sinto solidão quando estou distante do mesmo rapaz.
Um dia distante dele é um martírio, e eu sonho com o dia
em que todo dia é dia de estar ao lado dele.

1 de maio de 2014

Sobre contos de fada


Desde pequena ela lia contos de fada. Seu preferido era "A Bela e a Fera", uma menina leitora que se sacrifica pelo pai, aceita morar com um monstro, mas identifica algo de bom nele e então o transforma pelo amor. O amor. O amor está sempre presente nos contos de fada. Uns mais, outros menos. Ela via pouco amor em "Peter pan", por exemplo. A verdade é que quase toda menina lê ou assiste contos de fada. Outra verdade é que quase toda menina tenta, bem lá no fundinho do coração, acreditar que encontrará um príncipe encantado. E outra verdade (mais não a última desse texto), é que meninas crescem e passam a pensar em outros contos, como o do Shrek, mas se esquecem que mesmo nesse, ainda é o amor quem
conduz a história. Apesar do encantado não chegar, chega alguém que é completo como ele é, que faz a princesa perceber que nem sempre ela é uma princesa e que primeiro ela precisa identificar o que ela é, com todos os seus medos, qualidades, defeitos, para então ser "feliz para sempre".
Mais uma verdade é que esses contos acontecem de verdade rs. Toda história vai ter uma bruxa má, alguém será envenenado e mesmo com todas as peripécias o amor vai vencer todos os obstáculos. Essa menina leitora, encontrou o amor, e mesmo aos 23, ela acredita que será feliz para sempre, não porque alguém a fará feliz, mas porque ela se dedicará a fazer alguém feliz. Sem egoísmo, sem viver esperando que alguém a salve. O amor é uma lição constante de abrir mão de si. A Bela teve que ter fé para acreditar que a Fera mudaria. A Branca cuidou dos anões e nunca desejou o mal da bruxa. A Cinderella acreditou que a diferença de classe entre ela e o príncipe não mudaria a relação entre eles. A Ariel sacrificou-se pelo seu príncipe, navegando de mar em mar, ele lá e ela cá, até que ela mudasse, porque num relacionamento não é só um que muda são os dois. A Aurora teve muita paciência ao esperar o seu príncipe, cada uma com sua virtude. A última verdade do texto é que só quem ama pode realmente ser feliz para sempre.

10 de abril de 2014

Considerações de Adília sobre o peso de Mariana


"Gordo é gordo porque é feliz", disse a Adília sobre a Mariana. 
Adília disse que a primeira vez que viu Mariana foi numa tela, quando ela abocanhava um cupcake. Curiosamente Adília se perguntou "mocinhas não têm que ser magras?" e ficou observando a tela durante um bom tempo. A partir dela, Adília viu a Mariana de antes. Parecia um esqueleto. Tinha o peso de uma pena, até conhecer o Marquês de Chamilly... a menina enamorou-se pelo rapaz e foi engordando. Logo Adília pensou "foi por isso que ele partiu", mas a verdade mesmo é que Mariana foi engordando porque o conheceu. Homens fazem isso com as mulheres, elas ficam lindas até encontrá-los, depois é uma lanchonete ali, uma doceria aqui e quando vai ver elas estão enormes e eles magros.
Depois que o Marquês de Chamilly partiu, em três semanas Mariana perdeu seis kilos, ele partiu meio que sem partir porque Mariana se correspondia com ele (a esperança de obter resposta a nutria - "coitada, mal sabia que morreria de anorexia"). Já a Adília pensava "mandei mensagem no whats, visualizou, não respondeu, parti meu bem, beijinho no ombro". Quando Adília olhava para si e para Mariana, caia na gargalhada "melhor com gatos e baratas, do que no convento com as puritanas", Deus não deu à Adília um namorado, pelo contrário, deu o martírio de não o ter, então porque ela é gorda? Simples, ela disse que prefere morrer farta e feliz como Maria porque Jesus demora a voltar. 

21 de março de 2014

Estive dispersa em maus bocados
hoje nem tanto
amanhã talvez
Arrisco dizer que o risco
que escolheu correr
varrerá todas as emoções
corriqueiras que lhe fizeram sorrir