26 de maio de 2014

O mesmo rapaz


Todos os meus poemas são para o mesmo rapaz.
Diferente do "poetinha" eu não tive nove amores,
mas desejo que meu único amor seja eterno.

Há quase cinco anos eu escrevo para o mesmo rapaz.
Na verdade eu escrevia para ele e sobre ele,
mesmo antes de o conhecer.

Meus textos mais elogiados são sobre o mesmo rapaz.
Poesia não é autobiografia e eu tento criar,
mas amor que toca à alma é amor vivido.

Minhas alegrias são proporcionadas pelo mesmo rapaz.
Seu sorriso é encantador e suas piadas são as melhores,
não pela graça, mas pelo intuito de me fazer rir.

O melhor café é feito por esse mesmo rapaz.
Pães fresquinhos, leite quente, um docinho
e todo sentimento do mundo à mesa.

As músicas que marcam minha história,
tocam no carro desse mesmo rapaz.
é uma retrospectiva sonora do que há de mais belo.

Sinto solidão quando estou distante do mesmo rapaz.
Um dia distante dele é um martírio, e eu sonho com o dia
em que todo dia é dia de estar ao lado dele.

1 de maio de 2014

Sobre contos de fada


Desde pequena ela lia contos de fada. Seu preferido era "A Bela e a Fera", uma menina leitora que se sacrifica pelo pai, aceita morar com um monstro, mas identifica algo de bom nele e então o transforma pelo amor. O amor. O amor está sempre presente nos contos de fada. Uns mais, outros menos. Ela via pouco amor em "Peter pan", por exemplo. A verdade é que quase toda menina lê ou assiste contos de fada. Outra verdade é que quase toda menina tenta, bem lá no fundinho do coração, acreditar que encontrará um príncipe encantado. E outra verdade (mais não a última desse texto), é que meninas crescem e passam a pensar em outros contos, como o do Shrek, mas se esquecem que mesmo nesse, ainda é o amor quem
conduz a história. Apesar do encantado não chegar, chega alguém que é completo como ele é, que faz a princesa perceber que nem sempre ela é uma princesa e que primeiro ela precisa identificar o que ela é, com todos os seus medos, qualidades, defeitos, para então ser "feliz para sempre".
Mais uma verdade é que esses contos acontecem de verdade rs. Toda história vai ter uma bruxa má, alguém será envenenado e mesmo com todas as peripécias o amor vai vencer todos os obstáculos. Essa menina leitora, encontrou o amor, e mesmo aos 23, ela acredita que será feliz para sempre, não porque alguém a fará feliz, mas porque ela se dedicará a fazer alguém feliz. Sem egoísmo, sem viver esperando que alguém a salve. O amor é uma lição constante de abrir mão de si. A Bela teve que ter fé para acreditar que a Fera mudaria. A Branca cuidou dos anões e nunca desejou o mal da bruxa. A Cinderella acreditou que a diferença de classe entre ela e o príncipe não mudaria a relação entre eles. A Ariel sacrificou-se pelo seu príncipe, navegando de mar em mar, ele lá e ela cá, até que ela mudasse, porque num relacionamento não é só um que muda são os dois. A Aurora teve muita paciência ao esperar o seu príncipe, cada uma com sua virtude. A última verdade do texto é que só quem ama pode realmente ser feliz para sempre.

10 de abril de 2014

Considerações de Adília sobre o peso de Mariana


"Gordo é gordo porque é feliz", disse a Adília sobre a Mariana. 
Adília disse que a primeira vez que viu Mariana foi numa tela, quando ela abocanhava um cupcake. Curiosamente Adília se perguntou "mocinhas não têm que ser magras?" e ficou observando a tela durante um bom tempo. A partir dela, Adília viu a Mariana de antes. Parecia um esqueleto. Tinha o peso de uma pena, até conhecer o Marquês de Chamilly... a menina enamorou-se pelo rapaz e foi engordando. Logo Adília pensou "foi por isso que ele partiu", mas a verdade mesmo é que Mariana foi engordando porque o conheceu. Homens fazem isso com as mulheres, elas ficam lindas até encontrá-los, depois é uma lanchonete ali, uma doceria aqui e quando vai ver elas estão enormes e eles magros.
Depois que o Marquês de Chamilly partiu, em três semanas Mariana perdeu seis kilos, ele partiu meio que sem partir porque Mariana se correspondia com ele (a esperança de obter resposta a nutria - "coitada, mal sabia que morreria de anorexia"). Já a Adília pensava "mandei mensagem no whats, visualizou, não respondeu, parti meu bem, beijinho no ombro". Quando Adília olhava para si e para Mariana, caia na gargalhada "melhor com gatos e baratas, do que no convento com as puritanas", Deus não deu à Adília um namorado, pelo contrário, deu o martírio de não o ter, então porque ela é gorda? Simples, ela disse que prefere morrer farta e feliz como Maria porque Jesus demora a voltar. 

21 de março de 2014

Estive dispersa em maus bocados
hoje nem tanto
amanhã talvez
Arrisco dizer que o risco
que escolheu correr
varrerá todas as emoções
corriqueiras que lhe fizeram sorrir

12 de fevereiro de 2014

dia 12

houve um tempo em que eu
esperava todo dia doze do dez
porque era dia das crianças
e eu queria doce

depois descobri que dia
doze do oito era dia da juventude
então ainda tinha um dia de
querer desejar tudo

no futuro soube que dia
doze do cinco é dia do bibliotecário
e desde criança gostava de livros
então achei outro dia pra ser meu

depois de tantas fases o dia
doze continuou importante,
dia doze do seis tornou-se especial
porque tinha um namorado

passaram quatro anos desde que
reparei que o dia doze é um dia
diferente e pra toda a vida. 12
tribos, discípulos, múltiplo perfeito dos 4 elementos

hoje é dia doze e eu peço mais
uma dose de tempo com você.

12 de janeiro de 2014

Nossos anos

Passaram-se anos e eu sabia que eles passariam. Na verdade eu desejava que eles passassem, para o bem ou para o mal. Esperava, claro, viver feliz, e fui ou sou, mas de um modo diferente. Conheci aquela pessoa mas queria que ela fosse outra. E me sinto sempre a mesma, sabendo que tenho que mudar ou não, mas com certeza impotente. Acho que queria tornar aquela pessoa ideal, mas quando não era me sentia muito mais próxima dela. Pensava que era infeliz. Por que eu esperava ser feliz? É tão simples quando, aparentemente você tem o controle da situação. Você faz tudo para mudar, mudá-la, e finalmente as coisas mudam. Você ouve uma frase que parecia tão simples e que você almejava tanto, pois mudaria o curso do seu sonho. "Eu percebi que posso ser independente de você". E na hora você se sentiu bem, porque era aquilo que queria ouvir, sabia que era bom, só não sabia pra quem. Você esperou durante muito tempo ouvir uma outra frase e quando ouviu, quando saiu da boca daquela pessoa, aquela que tem a boca mais linda, o sorriso mais lindo, o olhar mais doce, você disse "não", não via o presente, só via o passado e o futuro. Mas qual futuro? Passaram-se anos e eu sabia que eles passariam. E eu sonhava. O que eu sonhava? Vejo aquela pessoa caminhando pra longe e eu a conduzi. Não a conduzo mais. Estamos distantes e isso não fazia parte do meu sonho, eu sabia. Ela se esforça para estar perto, mas é um esforço e é aí justamente que mora o problema. Os anos que se passaram passam como uma retrospectiva. As ligações não atendidas, a declaração de amor no teatro, a minha doença, a sua formatura, a sua viagem, o seu novo emprego, as suas velhas e novas amizades e eu estou em algum lugar aí. E você está naquele lugar que foi especialmente reservado pra você. Um lugar que só cabe você, mesmo você sendo imenso. Só cabe as suas piadas, as suas palavras e as minhas, palavras, só cabem numa lágrima, eu emudeci. O espaço que era meu, talvez seja meu, mas é meu e de mais um monte de coisa. E os anos passam. Foram para o bem. Agora o que não sei é se foi para o bem de nós como indivíduos ou como nós.