19 de dezembro de 2012
Palavras podem representar ações ou até antepô-las.
Palavras são como flores.
_ Como são as flores?
_ São delicadas e cheirosas, mas podem ferir com seus espinhos.
_ Onde estão as flores?
_ A beira do caminho, sob os trilhos.
_ E as palavras?
_ Também.
_ Vai colhê-las?
_ Sim.
_ Veja aonde elas estão.
_ Tudo bem, não importa.
Flores colhidas, palavras feridas, escolhas feitas.
Um misto de angústia e paz são as palavras ou as flores, ou até os sentimentos que representam esse suicídio.
(Talvez o trem passe, na verdade passou. Pra onde as levou? As palavras e a pessoa, não sei, mas as flores estão em seu túmulo agora.)
_ Queridos, como sabem vou viajar.
_ Vai pra onde?
_ Paris.
_ Que delícia!
_ É, vai ser sim. É à pesquisa. Quer dizer, se meus meninos deixarem.
_ Mas seu esposo não vai com você?
_ Mas ele é o mais menino de todos, ele é quem me preocupa.
_ Quanto tempo?
_ Dois meses.
(E lá vai ela e não eu, é a fragmentação do sujeito pelos lugares que passa. Sempre fica um eu e sempre volta uma outra.)
27 de outubro de 2012
Viagem
"Queria atravessar, mas sabia, não podia
de experiências tirar uma linda fotografia
mas aqui, sentada, viajo na emoção alheia
com malas de sentimentos pronta à embarcar."
25 de outubro de 2012
23 de setembro de 2012
21 de setembro
Dizem que é um dia especial.
Sempre é normal, com pitada de tristeza.
Excepcionalmente, em 2012, ela amanheceu com uma sensação plena de gratidão.
Gratidão por viver.
Gratidão pela família.
Gratidão pelo amor.
Gratidão pelos amigos.
Gratidão em servir.
Gratidão, simples assim.
Sem pensar em conquistas e avaliando com um novo olhar.
Acho que aos 22 ela amadureceu.
E o fato de sempre chover explica seu amor pelo tempo.
15 de agosto de 2012
Parabéns
Em plenos vinte e sete anos venho visitá-lo e o encontro dessa maneira. Hoje é seu aniversário e gostaria de conversar sobre tudo como se fossemos amigos de longa data. No meu sonho tínhamos intimidade suficiente para isso. Alguns questionamentos rolam entre nós, ao mesmo tempo uma grande admiração. Conseguimos conversar durante muito tempo, mas minha impressão não era omitida, era impossível mascarar a surpresa.
Eu tive até um pouco de receio em pegar o chinelo perto da cama e pedi para uma amiga, até aquele momento eu você tinha o tamanho de adulto, voz de adulto, era um adulto. Sem querer ela o acordou, já que dormia no chão, e ao me ver você tinha muita vontade de falar e falar comigo, meio sem jeito, querendo entender porque às vezes dormia e outras não na casa da minha tinha aos fins de semana, e nunca nos encontrávamos, saber como estavam os meus projetos, os meus sonhos, e nada fazia sentido, pois não era natural você estar dormindo lá também, mas eu gostava da ideia de poder conversar com você num dia especial. Enquanto falava de mim e sorria muito, ainda que as circunstâncias não parecessem normais, havia muita cumplicidade e amizade entre a gente. Estava sendo importante participar do seu dia especial.
Quando você começou a falar de você, era no tempo presente, escolheu tocar guitarra, sair pelo mundo transformando vidas, mas sozinho. Então ríamos, brincávamos, compartilhávamos projetos ministeriais e quando o olhei de novo você era um bebê, entre a fascinação e o medo tudo continuava normal, mas diferente. Fiquei feliz pelos males da infância não existirem mais. Foi aí que escolhi o real, e então acordei percebendo que, infelizmente, tudo era um sonho e como de costume, não o vejo e nem posso dar lhe os parabéns.
30 de junho de 2012
Lucas
Uma parte de mim concluiu uma fase que nunca esquecerá, e em cada etapa de aprendizagem e vivência vejo que o tempo é generoso em nos presentear com detalhes que mudam o nosso futuro. Onde conquistas compartilhadas entre lágrimas, peças troladas, risos e amigos nos fazem amadurecer em dois anos o que levamos numa vida. Observar com consciência e simplicidade tudo que estou me tornando, faz eu me orgulhar e perceber que mudanças apenas marcam momentos contínuos do que somos e daquilo que as pessoas sentem por nós.
Sim, inteligencia é hereditário e qualquer dia a gente passeia nesse seu caminhãozinho.
Sim, inteligencia é hereditário e qualquer dia a gente passeia nesse seu caminhãozinho.
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