25 de dezembro de 2014

Amanda e Armando


A senhorita Amanda Amoroso
casou-se com o jovem Armando Amado
Amanda Amoroso
nasceu para ser amada,
e Armando Amado
nasceu para armar-se.
Amanda Amado viajou
e Armando Amado ficou
enquanto Amanda Amoroso
estava em Amsterdã
Armando Amado amou
e Amanda Amoroso armou-se
tudo porque a traição
muda as pessoas.

10 de dezembro de 2014

flores


ontem eu ganhei flores,
hoje eu rego as flores,
amanhã secam-se as flores
as sementes floram.
eu floresço
e elas moram
em algum lugar
da memória de alguém,
de quem plantou
de quem ganhou
de quem deu
pétala a pétala se vai...
umas permanecem
nos livros
outras tristes se vão
para apagar o passado
melancólico
de quem ama e espera 
receber flores.
flores são frágeis,
cheirosas, delicadas
por isso são as flores
há flores para todo tempo
tempo de mergulhar
tempo de colher
tempo de aquecer
tempo de enfeitar.
não há engano
na sensibilidade
das flores, espinhos ferem.
a cada estação muda
a sensação de ter
ganhado esse presente.

27 de novembro de 2014

singular

| adj. 2 g. | s. m. | s. m. pl.
1. Individualúnicoisolado.
2. Que vale  por si.
3. Significativo
4. Terminante.
5. Distintonotávelextraordinário.
6. Particularespecial.
7. Excêntricoesquisito.
8. Não vulgarraro.
9. Excelente.
10. [Gramática Valor da categoria número que indica a quantidade um. = NÚMERO SINGULAR




o problema está em não se reconhecer
em ser manipulada e considerar que
o problema é culpa sua
você não é singular pelo problema
talvez não saiba que é singular
precisa de um outro para dizê-lo
não é tão chata quanto pensa
é mais linda do que pensa
e pensa, se alguém não sabe
o problema então é ele
chega de comparações
o que lhe falta é saber

10 de novembro de 2014


Carl Borderline nasceu no limite
aqui e ali
ama demais
sofre demais
sobra demais
chora demais
fere-se demais
medo demais

(abandono)

impulsivo demais
irrita demais
ri demais
ir demais
Carl Borderline morreu de amor.

7 de novembro de 2014


não sofra, meu bem
tudo passa
lembre-se:
"todos os dias
Ele deixará um buquê
na sua porta, pois
quando a rejeição vier
você não ficará sem pétalas"
fingir saber lidar
com o erro é
enganar-se com flores.
te esperam num lugar
que faz muito frio, mas
há saber, sorrisos
talvez sentimentos.
nada ficará para trás
só a dor daquele que foi.
escreva, meu bem
o futuro não é pouco



30 de outubro de 2014

O amor é uma loucura


Ah, o casamento!
Toda ou quase toda menina, já que os tempos são modernos, sonha em casar.
É um fato, um dia dois estranhos, que namoram para deixar de ser estranhos, decidem unir as vidas.
Educação, cultura, costumes, tudo muito diferente: se unem.
A decisão naturalmente acontece, mas quando falta pouquinho tempo é que se dá conta: "você vai casar", é uma mistura de sentimentos.
Você conta cada minuto que passa com seus entes queridos, e cada volta pra casa se aproxima da última volta pra casa.
Na adolescência tudo que se quer é estar longe dos pais, da família; quando o casamento se aproxima, tudo que se quer é estar perto.
Aos poucos tudo vai parecendo real, não que não fosse antes.
Você relembra as mágoas e se pergunta se vale a pena, imediatamente vêm as coisas boas respondendo que sim.
Você pensa se vai ou não ter festa, mas sabe que lua de mel tem que ter com certeza. Conta cada centavo pra saber se dá pra fazer tudo com a carinha dos dois, coisas inexplicavelmente boas acontecem e as ruins também. No fundo você só quer uma coisa: que a pessoa com quem você escolheu dividir toda a vida te dê segurança, te faça sentir única no mundo e a mulher mais amada. Se você sentir isso, vai lavar, passar, cozinhar feliz da vida. e ainda estará arrumada e cheirosa quando ele chegar, mesmo tendo trabalhado o dia todo também.
Você idealiza um monte de coisas que nunca saberá como serão a não ser que seja o seu momento de vivê-las. Mulheres têm o dom de criar toda uma história, a partir de detalhes, por isso enlouquecem mais que os homens. Enquanto elas se descabelam, eles sorriem,e como sorriem!
Toda essa loucura chama-se amor, é um sentimento estranho que causa mudanças repentinas e drásticas na vida de duas pessoas e toda sua família. O casamento é o surto psicótico de todo louco que diz amar.

29 de outubro de 2014

Insegurança (parte dois)


Há alguns anos, quando pela primeira vez a escritora falou sobre insegurança, ela a associou ao casamento, disse que toda noiva antes de entrar na igreja pergunta se o noivo já está lá - mas afinal, por que não estaria? E por que, de fato, toda noiva pergunta isso?
Hoje ela parte para uma nova viagem. Constantemente ela sente vontade de viajar, como se de alguma maneira a viagem tivesse alguma relação com a escrita, mas ela não sai do mesmo lugar e pior, a viagem não tem relação nenhuma com a escrita, essa é a desculpa que ela inventa para fugir de si mesma.
Hoje ela decidiu não justificar o texto, cansou-se da perfeição que lhe é exigida (exigida do texto, é claro). Em que medida essa vontade de fugir que sente a escritora relaciona-se com a insegurança? Será que as noivas têm medo de que seus futuros maridos saiam correndo da igreja quando elas chegam? Será que é por isso que se arrumam tanto, pensam que se estiverem bonitas eles terão um motivo a mais para ficarem?
Hoje, quando viajou de uma estação de trem para outra, ela rememorou. Eu estou contando essa história, mas já não sei quem viajou, se foi ela ou a noiva, ou se ela é a própria noiva. Sei que as lembranças de sua família, das mulheres - que não foram deixadas no altar, mas ficaram sós logo depois -, do seu relacionamento - de um homem que parece ser só de uma mulher -, a acompanham dia após dia, e ela sente vontade de escrever sobre isso, mas não sabe.
Elas são medrosas, deixam o destino conduzir esse trem que faz viagens circulares. Avó, mãe, tia, todas casaram, já, já esse trem para na estação casamento. Ela pediu à escritora que elaborasse uma declaração muito bonita, mas de vale as palavras se as ações não corresponderem?


2 de setembro de 2014

perfeição

às vezes eu tenho a sensação de que querem que eu seja perfeita. eu não posso falar um palavrão. eu não posso comer antes do meu namorado, e nem posso não saber o que comer. eu tenho que entender que o dinheiro não é o bastante. tenho que sorrir, mesmo se estiver de mau humor porque ninguém tem nada a ver com isso. eu tenho que perdoar, mesmo se vivo insegura. eu tenho que saber lavar, passar, cozinhar. eu tenho que entregar uma tese em 24 meses, mesmo sem receber um tostão do dinheiro que me é devido. eu tenho que ser simpática com piriguetes, quando na verdade adoraria dar uns bons tapas na cara de cada uma delas. eu tenho que ser magra. tenho que recepcionar às pessoas como se o que passei durante o dia não tivesse importância e ainda tenho que dar atenção. tenho que saber em qual lugar sentar. tenho que organizar tudo. tenho que entender que pessoas que "deveriam" me ajudar, não me ajudam, e elas ainda têm que ser muito "especiais". mesmo eu sendo um amorzinho ainda sou mal tratada, mas tenho que entender e não esperar nada em troca. eu tenho que ligar para dar parabéns, tenho que mandar mensagem, tenho que responder na hora, mas comigo: nada.

surpresa


eu dizia para a menina "deixe de ser romântica, os homens não são como nos contos de fadas." e ela sonhava. Lia tanto e imaginava... dizia que sim, existia um homem que lhe traria flores, por detrás das costas, e depois de um beijo cheio de amor, as entregaria, dizendo que ela era a mulher de sua vida. a menina acreditava veemente que esse mesmo homem, lembraria de todas as datas comemorativas e em cada uma delas faria algo diferente (nada que custasse muito caro), como pendurar balões no teto, com fitilhos amarrados às fotos deles. fotos não faltariam porque ele seria o tipo de homem que gosta de registrar cada momento, tornando-o único. eu dizia "menina, quanto mais sonha, mais iludida fica e quando acordar vai se frustrar". ela dizia que o amor era como uma plantinha, e eu dizia que era isso mesmo, o problema é que eu nunca vi um homem regar plantinha a não ser jardineiro. e ela ria de mim. não passou muito tempo e como uma profecia, tudo que eu dizia se cumpriu. a menina vivia fazendo pequenas surpresinhas e nada. vivia dando dicas do que queria e nada. e eu sentia saudade daquela menina que era sonhadora, pois ia ficando amarga, amarga, amarga. jamais diria a ela "termine com este rapaz" por que ele era singular. gentil. respeitável. amoroso. inteligente. trabalhador. o problema era essa coisa de menina que ela tinha. o que eu queria mesmo dizer a ela é "MUDE",  porque o que ela esperava não existia. pedir que um homem seja tudo isso e romântico é sonho e sonho é sonho, não realidade. de todo modo, eu não podia dizer-lhe isso, porque todas essas fofurices que criava e desejava tornavam-a singular também. enfim, disse a ela que entre ela e o mundo havia um descompasso, que se ela desejava viver todo esse sonho, bastava que ela dormisse pra sonhar de verdade e foi o que ela fez. o problema foi que a menina não acordou mais...

23 de junho de 2014

anacronismo


está tudo correndo,
tem milhares de pessoas ao meu redor.
passaram um, dois, três dias
passaram-se meses, anos
e está tudo correndo.
estou numa avenida
cheia de carros, cheia de movimento
vivi primaveras, verões
outonos, invernos
e eu estou parada.
conheci gente de todas as idades
e eu ainda estou parada.
o tempo gira, gira e gira,
se as lágrimas caem, param
e não chegam ao chão.
se eu sorrio o som não sai,
estou parada no tempo.
reconheço gerações,
mas não pertenço a nenhuma
alguns viajam, outros habilitados
latinos que orgulham-se de falar inglês
têm um celular cheio de aplicativos
querem o mundo, são vazios de relacionamentos
e eu estou parada no tempo.
quando quero falar, calo,
nenhum assunto me compete
e eu estou parada, parada
no espaço e no tempo.
já andei sob quatro pernas,
sob duas, em breve sob três
vejo tudo mudar
e eu continuo parada.
como se estivesse congelada
inerte, observo cada detalhe,
suas transformações,
enquanto me vêem diferente
sinto-me igual,
porque estou parada.
ouço uma música
e dentro da minha bolsa
tem discos de vinil,
apesar de viver nos anos dois mil.
quando olho o farol,
está tudo em preto e branco.
aceno para pegar carona,
mas o táxi é uma carruagem.
enlouqueço, parada do tempo.

sobre a calvice

eles estão desesperados.
e eu acho engraçado.
por que homens têm medo de ficar careca?
70% das cirurgias plásticas, no Brasil
são feitas por homens que aplicam cabelo.
uns penteiam os poucos fios que restam
para o lado da careca
e têm a cabeleireira como uma artista.
ela leva cerca de uma hora para cortar
os poucos fios que sobram,
mas a verdade é que é vantajoso ser careca!
você não gasta dinheiro com tintura
(na velhice tem uns bregas que pintam
os cabelos brancos), 
os carecas estão livres disso.
carecas não têm piolhos, nem caspas
carecas não têm medo do sol,
podem usar bonés na juventude
e boinas na velhice: gracinha.
carecas poupam água e produtos de higiene
reparem: os lutadores dos filmes
são carecas, fortes e altos,
além de ter super bom humor.
qual a vantagem de ter cabelo 
e deixar como de jogador de futebol?
(e se for brasileiro, então...)
enquanto eles gastam com Finasterida,
elas querem um espelho para se olharem.
não tenham medo de tesoura, carecas!
deixem para elas, porque pior que homem careca
é mulher de peruca.

máscara


gente fingida é irritante.
sonsa, talvez, fosse a melhor palavra
ou hipócrita.
ouço ao telefone a velhinha falar
"não sei de nada, não ouço nada"
falsa que só.
vejo a menina olhar
sorrir, mandar mensagem e dizer
"eu, dar em cima? Jamais, você é ciumenta"
descubro as mentiras
enquanto o outro pensa
ser mais esperto que eu
talvez meu rostinho de tola,
minha complacência
os façam pensar que está tudo bem
"ok", vamos entrar no jogo
e ver a máscara de quem cai primeiro.

13 de junho de 2014

rejeição


primeiro: a bisavó.
índia que encontra um português
casa-se, tem doze filhos,
é rendera e vê o marido
vez ou outra, sabe de histórias
ela não é a única índia.
morre ela, morre ele.

segundo: a avó
mulher branca que se casa
ele é alfaiate, com posses
ela tem duas filhas, passam fome
o marido tem outras mulheres
ela diz que perdoa
permanecem juntos.

terceiro: a mãe
mulher moderna divorciada
traída duas vezes
terceiro casamento. ele é preguiçoso
e ela trabalha muito para o sustento
de todos, enquanto a pelada é boa
diz que a ama, mas ela não é feliz

quarto: a filha
menina estudada e sonhadora
tem um futuro brilhante
quer se casar, ama intensamente
mas carrega consigo
o medo das mulheres da família
rejeição.

coração


um coraçãozinho caminhava pela floresta encantada à procura de outro coração. o dia estava ensolarado e de tanto caminhar e suar, desfaleceu e caiu no sono. ao acordar, a tarde estava enegrecida, relampeava e o coraçãozinho se fechou de tanto medo. a chuva chegou e ele não tinha onde se abrigar. ouvia vozes que diziam para ele desistir, mas ele sabia que era muito triste ficar sozinho, então, com medo das águas e de uma possível enchente, levantou-se, cheio de coragem e partiu. bem lá no fundo, ele se lembrava daquele que lhe disse que o amor era como as quatro estações, havia tempos de flores, de chuva, de sol e sequidão. o coraçãozinho sofria muito e não sabia se todo o sacrifício valia à pena, afinal ele só conhecia o amor de ouvir falar, e no primeiro dia da sua jornada já estava tão desgastado... à noite foi se aproximando e o coraçãozinho foi ferido, não enxergou o enorme galho no meio da escuridão, então aquietou-se na sua solidão. foi quando outro coração se aproximou dele, e ele imaginou "é esse", e ao passar por ele, ao invés de o ajudar, fez o contrário, cravou um espinho bem grandão no peito do coraçãozinho. em lágrimas o coraçãozinho perguntou "por que você fez isso comigo?" e o outro coração respondeu: "para você desistir logo da jornada". de repente a luz da lua brilhou sobre o coração e o coraçãozinho percebeu que a cor desse coração já não era vermelha, era tão negra quanto o petróleo. o coraçãozinho perguntou-lhe "o que aconteceu?" e ele disse "eu encontrei o coração que procurava, mas ele me feriu, eu decidi perdoar, porque era bom, mas ele me feriu novamente, agora dedico-me a impedir que corações bons como você fiquem como eu". o coraçãozinho bem enfraquecido abraçou o coração enegrecido e o abraço foi tão longo, tão cheio de carinho, que aos poucos o coração foi se transformando, e o coraçãozinho foi morrendo. o coração desesperado perguntou "o que você fez?" e o coraçãozinho respondeu "eu te amei desde o momento em que ouvi os seus passos, com você veio a esperança e mesmo que tenha me ferido eu jamais lhe desejaria o mal, nem se eu tivesse todo o amor do mundo (que não conhecia) eu poderia transformar-lhe se no fundo você não fosse bom". o coração chorou com o coraçãozinho nos braços, pensou em tudo que tinha feito, todo esse tempo na floresta encantada. pensou que na verdade era pelo coraçãozinho que ele também procurou a vida toda e quando finalmente o encontrou ele estava morrendo por causa dele. mesmo com toda a lágrima do coração, o coraçãozinho não resistiu e de tanto sofrimento o coração partiu também. ambos vermelhinhos e de mãos dadas. quando outros corações passam porque aquele trecho, cheio de melancolia e tristeza, recordam-se do testemunho de amor do coração e do coraçãozinho.

12 de junho de 2014


escrever sempre foi para mim um refúgio.
um lugar onde eu podia ser e dizer o que quisesse.
tenho a necessidade de acreditar que sou,
a melhor moça e muito amável.
(no sentido de que as pessoas podem me amar),

mas dizem que sou instável
tenho medo de acreditar nisso
porque quando a gente acredita
a coisa se torna real.

no papel estão minhas lágrimas,
minhas dores, poucos risos
(não que a felicidade me falte,
mas quando está presente o tempo é curto)
sou escritora da melancolia.

falo pouco de mim, mais dos outros.
mas sobretudo são as minhas perspectivas.
verdades ou não, não importa.
mais vale as ações que protagonizam
nossos sentimentos, do que palavras.
essas são apenas representativas.
se
você depositar todas
as
suas expectativas
numa
única pessoa
certo é:
frustar-se-á.

Fuga


Quanto mais o tempo passa mais eu me sinto deslocada.
quase todo dia eu gostaria de ter um lugar pra chamar de meu,
eu acordo de manhã e minha família come carne, de cabrito
e eu quero apenas os pães que não têm.
Tenho medo de estar enlouquecendo.
pelos últimos dados a pessoa que eu amo, também,
gostaria que eu fosse outra pessoa.
Hoje tem jogo, mas eu não sou torcedora.
eu quero fugir, mas quanto mais corro, tropeço
e não saio do mesmo lugar.
o reflexo que vejo nesse lago não é o meu,
mesmo que eu esteja de frente para ele.
Preciso mergulhar.

30 de maio de 2014


os poemas mais bonitos que li sobre o mar
são de sophia
não sei se a liberdade é filha da sabedoria
mas sempre soube que no mar
ela encontrara seu lar.
seus longos cabelos cheiram
a salinidade das águas,
entre seus dedos tem areia
e o seu corpo como de sereia
nada além mar.

na adolescência ouvia dizer
que queria velejar,
surfar, como quem dança sobre o mar
e caminha deixando sua calda.
os sons que ouço das conchas
são de seu canto
e a imagem que vejo nos raios do sol
é a de seu sorriso, quando as tartarugas
vêm em seu colo se acalmar.
o tempo passa e o que eu vejo no mar
é justamente o que eu não posso ver
infinitude.
é assim que me sinto
ao lembrar da menina do mar.


26 de maio de 2014

O mesmo rapaz


Todos os meus poemas são para o mesmo rapaz.
Diferente do "poetinha" eu não tive nove amores,
mas desejo que meu único amor seja eterno.

Há quase cinco anos eu escrevo para o mesmo rapaz.
Na verdade eu escrevia para ele e sobre ele,
mesmo antes de o conhecer.

Meus textos mais elogiados são sobre o mesmo rapaz.
Poesia não é autobiografia e eu tento criar,
mas amor que toca à alma é amor vivido.

Minhas alegrias são proporcionadas pelo mesmo rapaz.
Seu sorriso é encantador e suas piadas são as melhores,
não pela graça, mas pelo intuito de me fazer rir.

O melhor café é feito por esse mesmo rapaz.
Pães fresquinhos, leite quente, um docinho
e todo sentimento do mundo à mesa.

As músicas que marcam minha história,
tocam no carro desse mesmo rapaz.
é uma retrospectiva sonora do que há de mais belo.

Sinto solidão quando estou distante do mesmo rapaz.
Um dia distante dele é um martírio, e eu sonho com o dia
em que todo dia é dia de estar ao lado dele.

1 de maio de 2014

Sobre contos de fada


Desde pequena ela lia contos de fada. Seu preferido era "A Bela e a Fera", uma menina leitora que se sacrifica pelo pai, aceita morar com um monstro, mas identifica algo de bom nele e então o transforma pelo amor. O amor. O amor está sempre presente nos contos de fada. Uns mais, outros menos. Ela via pouco amor em "Peter pan", por exemplo. A verdade é que quase toda menina lê ou assiste contos de fada. Outra verdade é que quase toda menina tenta, bem lá no fundinho do coração, acreditar que encontrará um príncipe encantado. E outra verdade (mais não a última desse texto), é que meninas crescem e passam a pensar em outros contos, como o do Shrek, mas se esquecem que mesmo nesse, ainda é o amor quem
conduz a história. Apesar do encantado não chegar, chega alguém que é completo como ele é, que faz a princesa perceber que nem sempre ela é uma princesa e que primeiro ela precisa identificar o que ela é, com todos os seus medos, qualidades, defeitos, para então ser "feliz para sempre".
Mais uma verdade é que esses contos acontecem de verdade rs. Toda história vai ter uma bruxa má, alguém será envenenado e mesmo com todas as peripécias o amor vai vencer todos os obstáculos. Essa menina leitora, encontrou o amor, e mesmo aos 23, ela acredita que será feliz para sempre, não porque alguém a fará feliz, mas porque ela se dedicará a fazer alguém feliz. Sem egoísmo, sem viver esperando que alguém a salve. O amor é uma lição constante de abrir mão de si. A Bela teve que ter fé para acreditar que a Fera mudaria. A Branca cuidou dos anões e nunca desejou o mal da bruxa. A Cinderella acreditou que a diferença de classe entre ela e o príncipe não mudaria a relação entre eles. A Ariel sacrificou-se pelo seu príncipe, navegando de mar em mar, ele lá e ela cá, até que ela mudasse, porque num relacionamento não é só um que muda são os dois. A Aurora teve muita paciência ao esperar o seu príncipe, cada uma com sua virtude. A última verdade do texto é que só quem ama pode realmente ser feliz para sempre.

10 de abril de 2014

Considerações de Adília sobre o peso de Mariana


"Gordo é gordo porque é feliz", disse a Adília sobre a Mariana. 
Adília disse que a primeira vez que viu Mariana foi numa tela, quando ela abocanhava um cupcake. Curiosamente Adília se perguntou "mocinhas não têm que ser magras?" e ficou observando a tela durante um bom tempo. A partir dela, Adília viu a Mariana de antes. Parecia um esqueleto. Tinha o peso de uma pena, até conhecer o Marquês de Chamilly... a menina enamorou-se pelo rapaz e foi engordando. Logo Adília pensou "foi por isso que ele partiu", mas a verdade mesmo é que Mariana foi engordando porque o conheceu. Homens fazem isso com as mulheres, elas ficam lindas até encontrá-los, depois é uma lanchonete ali, uma doceria aqui e quando vai ver elas estão enormes e eles magros.
Depois que o Marquês de Chamilly partiu, em três semanas Mariana perdeu seis kilos, ele partiu meio que sem partir porque Mariana se correspondia com ele (a esperança de obter resposta a nutria - "coitada, mal sabia que morreria de anorexia"). Já a Adília pensava "mandei mensagem no whats, visualizou, não respondeu, parti meu bem, beijinho no ombro". Quando Adília olhava para si e para Mariana, caia na gargalhada "melhor com gatos e baratas, do que no convento com as puritanas", Deus não deu à Adília um namorado, pelo contrário, deu o martírio de não o ter, então porque ela é gorda? Simples, ela disse que prefere morrer farta e feliz como Maria porque Jesus demora a voltar. 

21 de março de 2014

12 de fevereiro de 2014

dia 12

houve um tempo em que eu
esperava todo dia doze do dez
porque era dia das crianças
e eu queria doce

depois descobri que dia
doze do oito era dia da juventude
então ainda tinha um dia de
querer desejar tudo

no futuro soube que dia
doze do cinco é dia do bibliotecário
e desde criança gostava de livros
então achei outro dia pra ser meu

depois de tantas fases o dia
doze continuou importante,
dia doze do seis tornou-se especial
porque tinha um namorado

passaram quatro anos desde que
reparei que o dia doze é um dia
diferente e pra toda a vida. 12
tribos, discípulos, múltiplo perfeito dos 4 elementos

hoje é dia doze e eu peço mais
uma dose de tempo com você.

12 de janeiro de 2014

Nossos anos

Passaram-se anos e eu sabia que eles passariam. Na verdade eu desejava que eles passassem, para o bem ou para o mal. Esperava, claro, viver feliz, e fui ou sou, mas de um modo diferente. Conheci aquela pessoa mas queria que ela fosse outra. E me sinto sempre a mesma, sabendo que tenho que mudar ou não, mas com certeza impotente. Acho que queria tornar aquela pessoa ideal, mas quando não era me sentia muito mais próxima dela. Pensava que era infeliz. Por que eu esperava ser feliz? É tão simples quando, aparentemente você tem o controle da situação. Você faz tudo para mudar, mudá-la, e finalmente as coisas mudam. Você ouve uma frase que parecia tão simples e que você almejava tanto, pois mudaria o curso do seu sonho. "Eu percebi que posso ser independente de você". E na hora você se sentiu bem, porque era aquilo que queria ouvir, sabia que era bom, só não sabia pra quem. Você esperou durante muito tempo ouvir uma outra frase e quando ouviu, quando saiu da boca daquela pessoa, aquela que tem a boca mais linda, o sorriso mais lindo, o olhar mais doce, você disse "não", não via o presente, só via o passado e o futuro. Mas qual futuro? Passaram-se anos e eu sabia que eles passariam. E eu sonhava. O que eu sonhava? Vejo aquela pessoa caminhando pra longe e eu a conduzi. Não a conduzo mais. Estamos distantes e isso não fazia parte do meu sonho, eu sabia. Ela se esforça para estar perto, mas é um esforço e é aí justamente que mora o problema. Os anos que se passaram passam como uma retrospectiva. As ligações não atendidas, a declaração de amor no teatro, a minha doença, a sua formatura, a sua viagem, o seu novo emprego, as suas velhas e novas amizades e eu estou em algum lugar aí. E você está naquele lugar que foi especialmente reservado pra você. Um lugar que só cabe você, mesmo você sendo imenso. Só cabe as suas piadas, as suas palavras e as minhas, palavras, só cabem numa lágrima, eu emudeci. O espaço que era meu, talvez seja meu, mas é meu e de mais um monte de coisa. E os anos passam. Foram para o bem. Agora o que não sei é se foi para o bem de nós como indivíduos ou como nós.